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Zibstiz - A Grande Fortaleza

Atualizado: Mar 7



Era uma vez, na história dos tempos, uma terra onde havia um povo justo e solidário, harmonizado com a natureza e brando de coração, que a duras penas havia conquistado a paz e a fraternidade entre os homens.

Guerras sangrentas se perdiam na escuridão dos tempos. O sangue havia lavado cada centímetro daquele solo sagrado, sob o jugo do ferro e do fogo, como juízes e executores das leis e também dos desmandos, geração após geração.

A prepotência e a maldade lavraram sulcos profundos nos corações daqueles homens perdidos, que se arrastaram pela lama de seus erros por milênios a fio. O poder e a vaidade, a posse e o egoísmo, o rancor e a vingança carregaram cada indivíduo, vida após vida, para sofrimentos incomensuráveis, tanto no Astral como na Terra.

Hordas de homens miseráveis e famintos vagaram pelo planeta após cada grande cataclismo, antes de iniciarem, em novos ciclos de existência, a reconstrução das coisas materiais perdidas e também de seus espíritos esfacelados.

A cada nova vida, com as esperanças renascidas, perdiam-se nos mesmos erros. Mas o tempo, no aconchego de sua eternidade generosa, oferecia sempre novas oportunidades e assim, passo a passo, dor após dor, os habitantes dessa terra foram crescendo e se aprimorando, um nada por vez. E de muitos pequeninos nadas construíram o paraíso.

Esse aprimoramento se deu primeiro na evolução das artes e da filosofia, das ciências e da tecnologia, quando a magnífica centelha criativa do homem se espraiou por todos os continentes como um rastro de pólvora, espalhando fagulhas e queimando as mãos de tantos quantos se colocavam no seu caminho.

No entanto, as comodidades da vida, o lazer e as facilidades não tardaram a turvar a memória de muitos desses homens, que cedo se esqueceram dos penosos caminhos percorridos por cada um para chegar ali.

Esqueceram-se das lágrimas derramadas e, arrependidos, das promessas feitas aos céus, repetidas vezes, em troca apenas de novas oportunidades de reparação dos muitos enganos e de crescimento de suas almas perdidas.

Esqueceram-se também que já haviam realmente tido todas as oportunidades imploradas, no suceder das reencarnações. Por último também se esqueceram que as oportunidades concedidas tinham sido condicionadas ao fato de que o deveria ser direcionado para a Luz.

Luz do amor e da fraternidade; da brandura e da resignação; Luz que poderia levar cada uma daquelas almas ao encontro da verdadeira felicidade.

Muito haviam sofrido em reencarnações dolorosas, em batalhas sangrentas pelas posses provisórias dos bens materiais, em mortes terríveis e nos longos períodos passados perdidos nos lamaçais fétidos no Astral, perseguidos por todos os demônios que a imaginação de cada um pudesse dar vida.

Aquele lodo reparador que, minimamente absorvia as impurezas adquiridas nos desmandos das encarnações, funcionando como uma espécie de adstringente curativo, que permitia uma próxima reencarnação no corpo físico sem tantas marcas do passado; marcas que poderiam tornar a vida inviável.

Leo, meu jovem cliente, falava como um especialista durante suas sessões de regressão e eu pensava na fantástica recuperação de informações à disposição do ser humano por meio da terapia de vida passada.

Continuávamos nossa incrível jornada no tempo, voltando agora, depois de termos conhecido algumas de suas vivências aqui no planeta(*), a tempos imemoriais no passado do homem na Terra, numa época em que nossos espíritos ainda vagavam pelas estrelas.

Mas naquele povo, o orgulho, meio primeiro de cultura para todos os defeitos e toda sorte de sentimentos menos nobres, falou mais alto e milhares de seres não conseguiram compartilhar as bonanças dos novos tempos.

Delas desdenhavam, prisioneiros de um sistema de crenças ultrapassado onde cada indivíduo deveria ser o centro de suas próprias atenções, distraídos do bem comum e de eventuais mazelas ao seu redor.

Nessa época, há milênios do nosso tempo, há milhares de anos-luz de distância, numa constelação distante, em outro sistema solar, no grande planeta das estrelas gêmeas, vivia o personagem de Leo, que entre tantas outras coisas contou de sua vida quando estava encarnado.

“Sou Levin. Tinha 50 anos e era astrônomo. Trabalhava num grande observatório na província de Mahji. Gostava de observar as estrelas e também acompanhar a construção das grandes naves nas docas espaciais”, estranhamente falava em um tempo de verbo no passado, como se contasse sua própria história e por mais que eu insistisse, seu tipo de discurso não mudava.

Curiosamente referia-se a si mesmo, à sua própria identidade — Levin, no presente. Pedi que me explicasse a razão para tal posição e a resposta veio direta e seca:

“Estou morto! Não vê?”, perguntou irritado.

Bem, eu não via, mas tinha condições de entender o que estava acontecendo. O personagem de Leo me contava sua vivência do Astral, após aquela vida no planeta distante.

Era surpreendente o relato e embora tivesse meios de simplesmente fazê-lo fixar-se naquela vida e voltar do Astral para antes de sua morte, resolvi deixá-lo lá ante sua insistência e observar o que aconteceria.

Como psiquiatra e terapeuta de vida passada estava acostumada a ter clientes passando de alguma forma pelo astral ou pela espiritualidade, como se queira chamar o lugar para onde vão os espíritos ou almas após o desencarne da matéria, uma vez que todas as regressões passam pelo momento da morte.

Algumas vezes relatos significativos dessas passagens por essas paragens se dão depois de vidas onde o personagem foi um algoz sem arrependimento e participou, por exemplo, de mortes coletivas e de situações de muita crueldade.

Outras vezes é o próprio Inconsciente do cliente, isto é, o espírito, que bem poderia ser considerado como a memória extracerebral do indivíduo, que o leva para o astral após uma vivência porque sabe que ele não está utilizando o personagem como poderia, isto é, não está reprogramando.

E o espírito sabe o que cada ser humano precisa saber e mudar para poder evoluir.


Os Filhos das Estrelas

Maria Teodora Ribeiro Guimarães



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