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Um diálogo, uma palavra, uma instrução


Mais uma vez no bom ambiente da Fazenda Rio do Ouro, estava nosso grupo envolvido em estranha experiência. Como de hábito, ali já estávamos desde 21h30m em amigável conversação, todos despreocupados de qualquer concentração mental, como nos havia sido aconselhado. Sentíamo-nos muito bem naquela noite! Dispostos, como já de regra, eis que rápido se instala em mim o estado de sonambulismo lúcido característico.

Em consonância com as experiências anteriores, vi-me como em estado bem límpido de tranquilidade emocional e mental, amplamente consciente de tudo ao redor, como vivendo uma impressionante abrangência perceptiva e consciencial. Encontrei-me de imediato com Y, sempre a receber-me com seu ar habitual de apoio e simpatia:

— “Você hoje tem condições para contactar com o Comandante YASHAMIL e com ele dialogar.”

Sem nada objetar, eis que, para surpresa minha, não fui levado ao ambiente onde já havia encontrado o Comandante Zyaish, e em que supunha encontrar o Chefe ou Mestre e, sim, a linda sala de entrada da nave em que estivera em experiência anterior. Soube então que ali deveria ocorrer o nosso diálogo. De fato, não houve qualquer delonga. Eis que se aproximou aquela impressionante figura, com nobre, majestoso e espiritual aspecto. Fiz uma pequena reverência e dele recebi discreta saudação com os braços estendidos.

Pondo-me à vontade, compreendi que lhe poderia dirigir a palavra, de acordo com o que já me falara Y...

Notando assentimento, ocorreu-me inicialmente perguntar:

— Mestre! Sabemos do nível espiritual a que já atingiu, ao longo de tão ampla evolução no seu sistema. Y... já me falou a esse respeito. Possuindo assim uma sabedoria tão grande e uma capacidade que, certamente, já permitiu ver e analisar a evolução de muitas e muitas outras humanidades de sistemas e mundos tão diferentes, poderia o Mestre dizer se todas elas teriam evoluído, ou evoluiriam ainda, através de dores, sofrimentos individuais e coletivos, catástrofes, guerras, destruições, paixões incontroláveis, levando à decadência, à morte e, em seguida, tudo a renovadas duras experiências?!... Isso à forma como ocorre com a nossa Humanidade?! Ou haverá outros caminhos mais nobres, mais felizes, para tais outros seres também em marcha? — Veio, então, a resposta:

“Não, não — esse não é caminho único, inexorável, para todas as humanidades. É apenas, tristemente, o caminho de vocês. Mas nem mesmo esse caminho devemos lamentar, pois os condicionamentos dos processos de evolução planetária são tão dificilmente controláveis ou mesmo pouco acessíveis ao conhecimento dos interessados. Mesmo para os que, como nós, queiram pesar e analisar de fora, somente podemos estudá-los, acompanhá-los e vivê-los como possíveis, na linha de realização progressiva da evolução da humanidade, que queiramos conhecer ou ajudar. Os caminhos para as humanidades são, pois, múltiplos, flexíveis ao infinito, como assim são os caminhos do destino individual de cada criatura, no caso de vocês, humanos. Vocês vêem como os caminhos do ser humano são tão diferentes... Assim o das humanidades aqui ou acolá, em marcha em seus mundos, planetas ou sistemas! Todavia, a nós se nos afigura uma VERDADE TRANSCENDENTAL, que podemos anunciar, de vez que recebida de FONTE MAIS ALTA.”

“Se, por qualquer artifício ou recurso, fosse possível medir em número cada esforço realizado pelas humanidades, número positivo ou negativo, conforme o sentido das experiências vividas, para todas elas em um mesmo nível de Realização de seus caminhos, independentemente do tempo decorrido, se fizéssemos o somatório desses números para cada uma, obteríamos, ao final, o MESMO NÚMERO!...”

“É que dominam toda a Evolução Cósmica as Leis da EQUIVALÊNCIA, da ANALOGIA e DA CORRESPONDÊNCIA, todas elas subjacentes e operantes desde a matéria densa física, imersos na qual vocês, humanos, ainda vivem, até aos níveis mais sutis das diferentes formas da substância e dos campos da energia, quer de natureza física ou espiritual, porventura existentes e atuantes em nosso Universo.”

“Sim, obter-se-ia o mesmo número, O MESMO NÚMERO.”

A seguir, arrisquei a seguinte inquirição, tão do gosto de muitos que interrogam, e com razão, sobre o comportamento desses visitantes:

— Mestre! Já que me foi dito que há, da parte de vocês, o desejo e a decisão de nos ajudarem objetivamente e não qualquer sentido de hostilidade que, no momento, deva ser encoberto, por que agem assim tão veladamente e esquivos, contactando raramente e, às mais das vezes, com pessoas incapazes de aproveitarem essas oportunidades? Mantém-se, na verdade, um ambiente de mistério, de dúvidas e de perplexidades e, até mesmo, de insegurança, face a certo tipo de poder já revelado em muitos casos da conjuntura mundial. Por quê? Por que esse tipo de atuação e de presença, ora cordial, ora hostil? Sempre, de fato, pouco definido, sem nitidez quanto a qualquer propósito!... Por quê?

Pequena delonga e eu ansioso pela resposta... Afinal, assim respondeu o Mestre:

— “Uma resposta completa a tal indagação nos levaria muito longe, dado à imensa diversidade de fatores implicados. Começa que há um grande número de origens de seres que, como nós, vêm procurando aproximar-se de vocês, humanos. E não todos com os mesmos propósitos e a mesma capacidade para promovê-los e alcançá-los. Qualquer resposta completa haveria que considerar a multiplicidade tão ampla de origens, resultando em uma imensa diversificação de tônica psicológica característica de cada um, condicionante dos fins a que se propõe... Posto isso, é óbvio atentar para que devemos falar do que nos compete, do que diz respeito a nós próprios, em conjunção apenas com seres também de globos mais distantes, extra-solares, já por nós próprios contactados e que, aqui, estão com os mesmos propósitos de ajuda ao humano, propósitos que já dissemos haverem nos conduzido até aqui. Aliás, já foi dito que há uma ver dadeira Política de Poder em torno do Globo de vocês, da humanidade de vocês, uma estranha disputa de influência e domínio sutil, que se passa nesse plano menos denso, ainda não acessível ao humano. A Lei, porém, é sábia e nem tudo o que a ambição estimula pode ser realizado para fáceis e inconsequentes vitórias. Por isso, no plano mais sutil, surgem também e se afirmam impossibilidades de se realizarem aspirações fora do interesse maior que rege uma evolução planetária... Todavia, eis a límpida verdade de que o humano deve achar-se plenamente consciente: — Vocês, terráqueos, não estão sós nesse caminhar evolutivo. Presenças e olhos atentos de alto porte espiritual e também de suspeitos e até maléficos desígnios, rondam vocês. Urge, pois, que jamais sejam vocês próprios conduzidos em um jogo de riscos e enganosos progressos, em que se joguem em perdição os elevados destinos que podem e devem realizar... Por isso, afirmamos que estamos aqui para ajudar, mas apenas ajudar, vejam bem, à humanidade, que quer ser ajudada, tendo condição de entrar em sintonia conosco. Então, poderão ter e receber o que possamos dar da nossa experiência realizada no mesmo caminho ascensional, a nossa caminhada, só bastante mais avançada...”

“Estamos procurando criar núcleos de interesse entre os terráqueos para, então, mais objetivamente, à forma que sabemos ser necessária, podermos diretamente trazer a nossa presença atuante para a melhoria tão necessária da condição humana atual. Pouco a pouco, vamos consolidando e realizando a sã política de encontrar humanos que sejam provas do nosso trabalho de amor, sem jamais lhes roubar o mérito que possuam. Sob o nosso influxo, haverão de irradiar concórdia, tolerância, amor, ao mesmo tempo que um cósmico dinamismo no FAZER. Isso há de vir de baixo, da educação da criança e do jovem, senhores do próximo futuro da VIDA terráquea de vocês... Dentro em pouco, alçados à direção das Instituições, dos Governos, dos postos de mando em qualquer parte, saberão mudar o Destino interrogativo de hoje, numa certeza clara e nobre do mundo de amanhã. Por ora, temos de ir agindo assim como vocês criticam, mas como a nossa visão do futuro aconselha. Todavia, é imperativo dizer que operamos muito, muito mais do que vocês supõem. Reconhecemos, entretanto, que vocês não têm obrigação de aceitar essa forma operacional que utilizamos, de vez que imperceptível, silenciosa. Essa, segundo os mesmos processos normalmente utilizados pela Hierarquia dos Adeptos e Mestres Planetários, como também muitos outros seres com os quais uma pequena minoria de vocês já se acha relacionada.”

“É que possuímos extrema facilidade de atuar mentalmente. Podemos emitir raios mentais de acentuada concentração, atingindo, sem dificuldade, o objetivo visado. Desta forma é que estamos mais presentes do que vocês supõem, por essa condição de influência mental, junto aos que têm o poder de decisão, no que se refere a acontecimentos de grande importância na política mundial. Na tensão atual que a sua humanidade vive, decorrente paradoxalmente da ambição de domínio e do medo, do exercício de uma inteligência técnica tão voltada para a intensificação da força, do poder, ao mesmo tempo em que de declínio do poder interno, silencioso, puro e divino, que se resume no AMOR ENTRE OS HOMENS, no mundo de vocês, tudo pode subitamente ocorrer, pois se acham acumuladas energias de toda ordem que tendem a extravasar, até mesmo a explodir, podendo mudar a face planetária. O grande trabalho para nós será sempre esse: fazê-las derivar para um destino nobre, visando à felicidade humana, aplicadas à alimentação necessária de todos os famintos, ao pano que vista toda nudez, ao abrigo que livre das intempéries, à educação da mente e do espírito que a todos leve discernimento e vista segura do seu próprio alto destino. Reunir-se-ia o Poder das Nações para criar-se o Superpoder, que vença a necessidade, o medo, a morte do espírito e do amor entre os humanos! ... Nós nos encontramos voltados para esse trabalho silencioso, ora atuando sobre dirigentes políticos de toda ordem ou hierarquia, ora junto ao pesquisador, ao sábio que busca um elemento a mais da Divina Ciência para o bem humano, ora junto aos BONS de todas os matizes, qualquer que seja a sua formação religiosa ou cética, para sempre melhor se inspirarem e agirem, em bem da Fraternidade e do Amor entre os povos. Estes poderão vanguardear, pelo exemplo, os surtos de compreensão, tolerância, amor e fraternal assistência, que levem àqueles que muito têm a se lembrarem dos que nada têm, filhos todos, porém, da mesma LEI.”

“Será, poderemos antever, um novo mundo que se criará pela mão do próprio humano, sob a vista PLENA DE VISÃO CÓSMICA dos seres já ascensionados, realizados do incessante progredir.”

“Sim, estamos atentos a tudo isso!... Será preciso dizer mais para provar a vocês, quanto empenhados estamos na solução dos seus problemas? Se for o caso, ainda falaremos sobre tudo isso...”

Senti, no momento, que do Mestre irradiava uma luminosidade branco-azulada, o seu olhar brilhante, projetando-se à distância como a fitar o Infinito. Assim prosseguiu ainda, como a responder à inquirição que, silenciosamente, eu fazia.

— “Sim! O humano criou as suas próprias contradições. Na busca do conforto e da segurança, uniram-se por meio de recíprocas restrições que culminam nas leis que regulam os problemas de uma comunidade. Apertam-se os laços das restrições, dos impedimentos, do que é certo e do que é errado. De tudo isso, pouco e pouco, vão-se criando problemas e problemas, pois, contraditoriamente, o mundo interno do humano se marca pela tônica de liberdade e do uso do arbítrio no Fazer!... A Força, então, há que afirmar-se para manter as normas do Bem-Viver e, rapidamente, se deterioram as raízes da inspiração do conviver social, num quadro político de domínio, de exigências, incertezas e interrogações!... Tudo isso, ampliado no longo evoluir da sociedade, faz acumularem-se essas contradições, deteriorando-se certos símbolos reverenciados nos preconceitos que se enquistam, limitando demasiado a liberdade humana, ao mesmo tempo em que se implantam o receio, o terror de uma liberação maior conducente ao caos, à própria negação do Bem da Comunidade Social. Eis o fundamento da ansiedade humana, numa sociedade nada realizada no amor e na fraternidade. Assim vemos o problema de vocês. Dessa forma, enfrentando esse problema em suas bases, na sua verdadeira raiz, estamos seguros de que todos nós não estamos trabalhando em vão... Saberemos colher o fruto da semeadura plantada muito antes de nós, com o possível mérito de estarmos ajudando a dela cuidar com acendrado amor, viva esperança e cósmica energia!...”

... Tinha ouvido tais palavras e logo atentei em que elas foram muito além do que perguntara...

No momento, estávamos satisfeitos e logo Y... me disse devermos encerrar a experiência daquela noite. Senti-me muito feliz, claras as percepções daquela oportunidade em que distingui com mais nitidez o ambiente em que me encontrava.

O Comandante YASHAMIL estende os braços com as mãos ligeiramente inclinadas para cima. Na integralidade do meu Eu, recebi uma presença extraordinária de paz e segurança. Um misto de sentimento de amor e reverência se apossou de mim. Inclinei-me vagarosa e respeitosamente e me retirei daquele recinto.

Logo me encontrei nas tais transições psicológicas, descendo à vigília normal naquele grato ambiente junto aos queridos amigos.

Para mim, a experiência recém-vivida tornou-se inesquecível. Sua recordação sempre me é muito cara, estimulante de um estado de euforia, de amor e de paz, que desejo sempre possa transmitir-se a todos aqueles que aspiram a dar um passo a mais, rumo a essa paz, a essa segurança que só uma vivência daquela natureza ou afim poderá conferir à criatura humana.


Mergulho no Hiperespaço

A. Moacyr Uchoa


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