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Plasticidade neuronal e o Espiritismo

Atualizado: Mar 7

Dr. Nubor Orlando Facure diz que: “A neurofisiologia sugere que o pensamento é um processo contínuo que se expressa na atividade dos neurônios do cérebro. Nossas ideias nascem a partir de estímulos externos que atingem os órgãos dos sentidos, ou por mecanismos internos de percepção e memórias acumuladas no decorrer da vida”. E comenta que: “O neurônio foi identificado como célula fundamental a partir do momento que técnicas de coloração permitiram o reconhecimento da sua estrutura. Quando Camillo Golgi em 1873 usou uma tintura de prata para corar o cérebro, foi possível perceber que alguns neurônios se impregnavam com essa coloração revelando o corpo celular e seus prolongamentos, inaugurando, a partir daí, uma revolução extraordinária no conhecimento do cérebro”.



No final do século XIX, Franz Nissl conseguiu corar os neurônios com o violeta de cresil, descobrindo no citoplasma o amontoado de uma substância de aparência “tigroide” que ficou conhecida como “corpúsculos de Nissl”.

André Luiz, no livro “Evolução em dois Mundos”, destacou a importância dos corpúsculos de Nissl, que têm uma estrutura membranosa denominada Retículo Endoplasmático Rugoso com a função de construir proteínas dentro dos neurônios. Algumas dessas proteínas farão parte das membranas celulares e outras participarão de enzimas que atuam na produção de neurotransmissores. André Luiz, no mesmo livro, diz que a mente, através destes corpúsculos chamados Nissl, fixa seus propósitos, transmitindo pelo pensamento as ideias que o Espírito projeta no cérebro. A partir das percepções dos sentidos, o Espírito renova suas ideias, projeta na rede de neurônios sua energia que resulta em pensamentos capazes de se adequarem no cérebro, produzindo nossos atos.

O Dr. Sam Parnia diz que: “Cada neurônio é conectado a outras células através de mil a 10 mil contatos chamados sinapses. É aqui que a troca de informação ocorre entre as células do cérebro. Isso é incrível! Com cerca de 100 bilhões de células, cada uma com mil a 10 mil conexões com outras, o número total de permutações e combinações de conexões cerebrais, e, portanto, de atividade cerebral, é praticamente infinito! Todos os diferentes estados cerebrais, inclusive todas as nossas emoções, como o amor, o ódio e a raiva, bem como nossos pensamentos, ambições e até sentimentos religiosos são mediados por estas conexões, ou sinapses, que variam entre si e se tornam mais complexas se uma certa área do cérebro está sendo usada ou desenvolvida”.

Sabemos que os neurotransmissores realizam toda transmissão da informação entre os neurônios, estes estão em plena atividade, vão expandindo suas sinapses fixando o aprendizado que a experiência vai lhe fornecendo. Em cada sinapse se ajustam os canais de transporte químicos fundamentais à troca de informações entre os neurônios. André Luiz no livro “Evolução Em Dois Mundos” diz que: “os neurônios edificam através de vias eletromagnéticas a comunicação entre o governo espiritual e as províncias orgânicas. Em todos os ângulos do cérebro, esse microcosmo prodigioso, que são estas células especiais (neurônios), permanece sob o controle do Espírito, assimilando-lhe os desejos e executando-lhe as ordens no automatismo que a evolução lhe confere”.

Os pesquisadores Silvia Helena Cardoso, PhD, e Renato M.E. Sabbatini, PhD, dizem que: “Até há pouco tempo, os neurocientistas acreditavam que, uma vez completado seu desenvolvimento, o cérebro era incapaz de mudar, particularmente em relação às células nervosas, ou neurônios. Aceitava-se o dogma segundo o qual os neurônios não podiam se autorreproduzir ou sofrer mudanças significativas quanto às suas estruturas de conexão com os outros neurônios. As consequências práticas dessas crenças implicavam em que: a) as partes lesionadas do cérebro, tais como aquelas apresentadas por vítimas de tumores ou derrames, eram incapazes de crescer novamente e recuperar, pelo menos parcialmente, suas funções e b) a experiência e o aprendizado podem alterar a funcionalidade do cérebro, porém, não sua anatomia.


Os neurônios estão conectados em circuitos neuronais por vários tipos de sinapses (excitatórias, inibitórias, químicas, elétricas) que exibem uma variedade de características e funções que moldam a força das transmissões sinápticas.

Parece que os neurocientistas estavam errados em ambos os casos. As pesquisas dos últimos 10 anos têm revelado um quadro inteiramente diferente. Em resposta aos jogos, estimulações e experiências, o cérebro exibe o crescimento de conexões neuronais. Embora os pioneiros da pesquisa em comportamento biológico, tais como Donald Hebb, do Canadá, e Jersy Konorski, da Polônia, acreditassem que a memória implicava em mudanças estruturais nos circuitos neurais, ainda não se dispunha de evidências experimentais que comprovassem essa noção. Em experiências realizadas com ratos, a neuroanatomista americana Dra. Marian Diamond foi capaz de demonstrar que os animais que foram criados em um ambiente enriquecedor, uma gaiola cheia de brinquedos e dispositivos tais como bolas, rodas, escadas, rampas etc. desenvolviam um córtex cerebral significativamente mais espesso do que aqueles criados em um ambiente mais limitado, sem os brinquedos ou vivendo isolados. O aumento da espessura do córtex não era devido apenas a um maior número de células nervosas, mas havia também um aumento expressivo de ramificação de seus dentritos e das interconexões com outras células”.



Os pesquisadores Silvia Helena Cardoso, PhD, e Renato M.E. Sabbatini, PhD, ainda comentam que: “A consequência prática do conhecimento de que as células nervosas crescem e se modificam em resposta às experiências e aprendizagem enriquecedora é extraordinária, exemplo disso é que: A educação de crianças em um ambiente sensorialmente enriquecedor desde a mais tenra idade pode ter um impacto sobre suas capacidades cognitivas e de memória futuras. A presença de cor, música, sensações (tais como a massagem do bebê), variedade de interação com colegas e parentes das mais variadas idades, exercícios corporais e mentais podem ser benéficos (desde que não sejam excessivos). Na verdade, existem muitos estudos mostrando que essa ‘estimulação precoce’ é verdadeira. Ainda precisamos provar se isso provoca um crescimento no cérebro das crianças, como acontece com os ratos; pessoas que sofreram lesões em partes de seus cérebros podem recuperar parcialmente as funções perdidas submetendo-se a estimulação mental intensa e diversificadas, de maneira análoga à fisioterapia para os músculos debilitados; alimentos ou drogas artificiais que aumentem a ramificação dos dendritos, o crescimento dos neurônios e seu aumento de volume podem ajudar na melhora do desempenho mental e memória nas pessoas normais ou em pacientes com doenças degenerativas do cérebro, tais como Alzheimer.

Na verdade, um estudo pioneiro realizado por Dr. David Snowdon, um neurocientista da University of Kentucky, com freiras católicas vivendo em um convento no norte dos Estados Unidos, revelou fatos assombrosos que apoiam a teoria da estimulação cerebral. Essas freiras foram escolhidas porque parecem apresentar uma longevidade maior que o resto da população: várias delas já haviam atingido mais de cem anos de idade. As freiras que viveram mais e que mostravam uma melhor saúde mental eram quase sempre aquelas que praticavam atividades tais como pintura, ensino e palavras cruzadas, que exigiam um constante ‘exercício mental’. De fato, Dr. David Snowdon surpreendeu-se ao observar nos exames post-mortem dos cérebros doados pelas freiras falecidas que alguns que estavam com melhores condições mentais devidas a essa rica estimulação apresentavam todos os sinais da insidiosa doença de Alzheimer. Essa doença degenerativa nervosa, altamente incapacitante, aparece em cerca de 20% de todas as pessoas com mais de 80 anos de idade, e se caracteriza por inúmeras alterações patológicas dos neurônios, e pela morte maciça de células, especialmente as células corticais. Isso provoca profunda perda de memória, e outros tipos de deterioração do comportamento e da personalidade”.

Concluem os pesquisadores Silvia Helena Cardoso, PhD, e Renato M.E. Sabbatini, PhD, que: “O crescimento neuronal e a regeneração enquanto resposta a fatores ambientais já não parecem impossíveis, devido ao que a neurociência já tem revelado em experiências com animais e seres humanos. Este conhecimento, de par com a descoberta dos mecanismos que tornam isso possível, constituirá um portão para um futuro fantástico para a humanidade; um futuro onde talvez possamos manipular e influenciar nossas próprias capacidades mentais de um modo inteiramente imprevisível. Isso tem constituído o sonho duradouro tanto da ciência como da ficção científica e talvez estejamos situados no limiar de sua realização”.

O Dr. Dráuzio Varella diz que: “A neurogênese é um processo lento, regulado por moléculas presentes no sistema nervoso, conhecidas pelo nome de fatores do crescimento. A neurogênese tem sido demonstrada em casos de acidente vascular cerebral: os novos neurônios formados no hipocampo migram para a região destruída pela falta de oxigênio para povoá-la. Em 2002, um estudo feito com antidepressivos mostra que o efeito benéfico desses medicamentos no tratamento da depressão coincide com o aparecimento de novos neurônios no hipocampo”… O Dr. Cláudio Guimarães dos Santos diz que: “A cada novo estímulo, a rede de neurônios se recompõe e reorganiza, o que possibilita uma diversidade enorme de respostas. A Plasticidade Neuronal é o nome dado a essa capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento. Por isso, crianças e adultos que sofreram acidentes, às vezes gravíssimos, com perda de massa encefálica, déficits motores, visuais, de fala e audição, vão se recuperando gradativamente e podem chegar à idade adulta sem sequelas, iguais às crianças que nenhum dano sofreram”.

O mais interessante é que em 1958, o Espírito André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, já dizia no capítulo chamado “FATOR DE FIXAÇÃO” que: “Os neurônios nascem e se renovam, milhões de vezes, no plano físico e no plano extrafísico, na estruturação de cérebros experimentais, com mais vivos e mais amplos ingredientes do corpo espiritual, quando em função nos tecidos físicos, até que ergam em unidades morfológicas definitivas do sistema nervoso. Demonstrando formação especialíssima, porquanto reproduz mais profundamente a tessitura das células psicossomáticas, o neurônio é toda uma usina microscópica, constituindo-se de um corpo celular com prolongamentos, apresentando no núcleo escassa cromatina e um nucléolo”.


EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO eduardoalourenco@hotmail.com Americana, São Paulo (Brasil)

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