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O NOSSO PASSADO REENCARNATÓRIO

Atualizado: Mar 7


Pergunta: - Alguns líderes espiritualistas nos têm dito que é desaconselhável a preocupação de pretendermos conhecer o nosso passado reencarnatório, pois isso é de pouca valia para o espírito encarnado; que nos devemos importar unicamente com a vida presente e o porvir, em lugar de nos entregarmos a essas cogitações pregressas, que só nos roubam precioso tempo. Que dizeis?

Ramatís:  Evidentemente, se hoje fôsseis um zelador de sanitários, que utilidade prática vos traria o fato de saberdes que já fostes requintado fidalgo no reinado de Luís XV? Nem há muita necessidade de que evoqueis o passado para saberdes o que já tendes sido alhures, porquanto o fato de serdes atualmente um zelador escravizado às tarefas antihigiênicas bem poderia demonstrar-vos, com suficiência, que no pretérito houve de vossa parte abuso de poder ou demasiada exaltação pessoal. Desde que a Lei determina que a colheita deva ser de conformidade com as próprias obras, compreende-se que os efeitos da vida presente devem servir de base para se poder avaliar a plantação feita na existência pretérita. Em geral, na evocação do passado reencarnatório, as criaturas só se empolgam pela probabilidade de saber se foram marqueses, condessas, faraós, reis ou imperadores, mas esquecem-se de que tais títulos, que representam tanto valor no mundo material, são de nenhum valor nas esferas da espiritualidade superior, onde a lei sideral determina que "os humildes serão exaltados e os que se exaltarem serão humilhados". Uma vez que no mundo dos espíritos só prevalecem os bens que a alma consolida em sua intimidade espiritual, é de somenos importância o tipo de vestuário de carne que ela enverga em cada existência humana porquanto, fora dessa sua realização interior, o resto é apenas "pó que retoma ao pó"...

Quando após a desencarnação a alma é obrigada a reconhecer que só as virtudes diplomam para as regiões paradisíacas, arrepende-se de não haver preferido mil vezes o vestuário de estame, a pobreza e a glória espiritual de um Francisco de Assis, às jóias, sedas e veludos que cobrem os corpos dos que passam pelo mundo escravizados à animalidade inferior. Entretanto, como a vaidade e o amor-próprio são os sentimentos mais resistentes para serem dominados pelas almas, no aprendizado do mundo terreno, algumas criaturas sentem-se mais felizes no Astral por terem sido desabusados aristocratas ou famosos aventureiros sem escrúpulos, no passado, em vez de pobre criatura, mas dotada de qualidades cristãs.

Quanto a ser aconselhável ou desaconselhável o propósito de se conhecerem as vidas anteriores, não vos esqueçais de que isso é questão de foro íntimo e não de regra sideral. Futuramente tereis que conhecer todo o vosso passado, a fim de poderdes programar com êxito as vossas retificações cármicas, em conformidade com as exigências da mais breve ventura sideral. Embora o conhecimento extemporâneo das encarnações pregressas não contribua praticamente para modificar a vossa existência atual, é evidente que a realidade espiritual de vossa alma abrange desde o primeiro fulgor racional, que deu início à vossa consciência, até o momento em que viveis.

Quando o espírito lograr alcançar o conhecimento completo de si mesmo, para a integração consciente no seio do Criador, é fora de dúvida que, então, terá de vislumbrar todo o seu passado espiritual, vivido tanto no mundo físico como no astral, a fim de focalizar com êxito toda a memória de "ser" e "existir" no tempo e no espaço. Embora vos digam ser inutilidade o conhecimento das encarnações anteriores, assim como para alguém poderia parecer inutilidade a empreitada de escreverdes a história da vossa vida atual desde o berço físico, o certo é que, quanto melhor conhecerdes o vosso passado, tanto melhor identificareis a natureza exata do vosso próprio caráter espiritual. Obviamente, com isso ser-vos-á mais fácil programar as futuras existências retificadoras, pois a visão panorâmica espiritual dos vossos sentimentos e objetivos vividos anteriormente é que justamente vos ajudará a extinguir os interstícios vulneráveis às paixões e aos vícios.

Conhecendo então a razão e a intensidade dos "desejos", que são os responsáveis pela 

necessidade das encarnações físicas, também ser-vos-á mais fácil empreender a libertação dos ciclos reencarnatórios. A recordação espiritual das vidas passadas desperta lentamente na intimidade da criatura e se torna tão nítida e extensa quanto seja a capacidade psicológica de sua própria suportação interior. Mas nem todas as almas se encontram em condições favoráveis para conhecer toda a trama diabólica de suas vidas pregressas, principalmente se ainda fazem lisonjeiro julgamento de si mesmas e se consideram portadoras das mais excelsas virtudes. Sendo assim, seria muitíssimo doloroso e decepcionante, para um homem que se julgasse um caráter ilibado e impoluto, vir a comprovar que na existência anterior fora um refinado larápio ou um cidadão desonesto; assim como a mulher que atualmente se envaidece da sua condição afidalgada ou de sua respeitosa situação matrimonial vir a descobrir que no passado dirigia infecto prostíbulo! É por isso que muito se justificam a severidade e a lógica da advertência evangélica do Sublime Jesus quando, em razão dos nossos próprios pecados, Ele nos aconselhou sabiamente: "Não julgueis, para não serdes julgados."

A Sobrevivência do Espírito

Ramatís /Hercílio Maes

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