• religar

O INFERNO TEOLÓGICO É UM PRODUTO DA IMAGINAÇÃO

Atualizado: Mar 7


Pergunta: Não será provável que o Inferno e o Diabo, da tradição bíblica, sejam idéias decalcadas da própria realidade do astral inferior, percebida pelos videntes da época?


Atanagildo: O inferno teológico é um produto da imaginação lendária do passado religioso, adaptada à compreensão de uma humanidade ainda atrasada. Daí o fato de se descrever o sofrimento no astral inferior como um reinado de Belzebu, com as características das torturas primitivas e dos castigos mais conhecidos e empregados naquela época. Para que a humanidade ficasse impressionada - pois que de outro modo não o ficaria - foi preciso dizer que os infelizes pecadores deveriam ser cozidos em caldeirões de água, cera ou chumbo ferventes, e assados entre carvões e enxofre. É óbvio que, se o Inferno fosse imaginado no vosso século atual, os religiosos poderiam descrevê-lo como provido de todos os recursos científicos modernos, em matéria de destruição, tais como instalação de cadeiras elétricas, bombas asfixiantes, câmaras frigoríficas ou superaquecidas, e tudo que o cidadão do século XX descobriu para aliviar a superpopulação do seu planeta... Sem dúvida, o Inferno eletrônico do século XX não só poderia dispensar os seus caldeirões anacrônicos e anti-higiênicos, como também abandonar o sistema obsoleto de queima de enxofre e carvão, cujo braseiro vultoso consome verbas astronômicas sem esperanças de que Satã obtenha indenização por parte de pecadores já completamente falidos. Sem dúvida, o Diabo sentir-se-ia eufórico e venturoso, nesse Inferno modernizado e automático, onde, para se moverem talhas, guinchos e vagonetes admiravelmente eletrificados, bastar-lhe-ia um rápido acionar de botões, e todo o Inferno funcionaria na mais efusiante sinfonia de gritos, berros e barulho de ventiladores e exaustores elétricos, eliminando o cheiro da carne assada!

A Ciência e a Indústria, bastante desenvolvidas no vosso mundo, poderiam fornecer o aparelhamento de torturas mais genial e eficiente para o Inferno, acomodando-o na conformidade dos tipos, pesos e torpezas dos pecadores modernos. Acredito que os comodistas e os ociosos teriam que repousar eternamente sobre confortáveis redes anatômicas, elétricas; os exploradores do próximo rodariam de modo divertido dentro de modernas máquinas de lavar roupa, mas repletas de água fervente, que lhes arrancaria a pele sem danificar os órgãos; os avarentos seriam condenados a contar moedas de cobre eletrificadas por alta tensão; os falsários e os hipócritas ficariam se debatendo dentro de fornos elétricos, aquecidíssmos, tentando abrir e fechar suas portas falsas e sem saída; os coléricos e irascíveis seriam colocados incessantemente sob chuveiros elétricos de água fervente; os cruéis seriam colocados em excelentes churrasqueiras rodantes, enquanto os administradores relapsos e delapidadores do patrimônio público ver-se-iam condenados a servir-se de poderosas canetas eletrificadas, eternamente obrigados a encher cheques feitos de folhas de aço... Uma vez que a própria Terra evolui, desde o seu cenário material até às realizações mais prosaicas de sua humanidade, por que também não hão de evoluir o Diabo, o Inferno e o Céu bíblicos, transformando-se para melhores condições? Quanto a este último, não seria razoável que a alma terrena, já conhecedora das magistrais obras de Beethoven ou de Mozart, terminasse se entediando contra os anacrônicos tocadores de rabecas, as procissões e o cantochão litúrgico, que ainda fazem sucesso num céu primitivo? Creio que a simples ideia de faltar no céu o popular acordeão moderno já seria motivo suficiente para que a maioria dos "fiéis" se desinteressasse do lendário Paraíso.

A Sobrevivência do Espírito Ramatís-Atanagildo/Hercílio Maes

Ganhe 15% de desconto na compra deste livro, usando o cupom:

1910-30HE-6LE7-HOCC

(o desconto só irá aparecer no fechamento do pedido, onde existe o campo para inserir o código de desconto acima).

63 visualizações