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O ESPÍRITO, O PERISPÍRITO E O CORPO

Atualizado: Mar 7


PERGUNTA: Dentro da nossa compreensão humana, é difícil entendermos essa relação "psíquica" entre os animais e o perispírito do homem pois, na tela de nossa mente, os animais se parecem a seres demasiadamente físicos, como uma superação já vencida do passado, e impotente para impor os seus estigmas primários.

RAMATÍS:  Há um psiquismo acumulado e latente no organismo físico, que é a soma de todo o esforço de adaptação ao meio por parte da espécie animal; o corpo humano mais se assemelha a um"coquetel" composto com um pouco do psiquismo coordenado de cada espécie animal, que tem servido na esteira do tempo para formar o automatismo da vida instintiva e ligar o feto à matriz uterina. Nessa hora do encontro do espírito com a carne, o homem e a mulher, configurando dois campos magnéticos opostos, transmutam energias vindas do Alto e forças criadoras do mundo instintivo, dosadas pela psique animal, as quais fazem o seu misterioso enlace na zona do "plexo abdominal", que é o exato limiar controlador dos automatismos criadores. O corpo humano é um vaso vivo de energias milenárias, colocadas ao serviço do espírito encarnado, mas que reagem à sua atuação e tentam impor os seus valores instintivos cal-deados no pretérito. O espírito tanto pode se tornar um comandante vigoroso e emancipado, capaz de controlar o seu exército de entidades microscópicas, como também se transformar num infeliz farrapo psíquico, arrastado sob o império dos estigmas do atavismo animal...

E se não houvesse essa reação incessante, a matéria perderia a sua razão de existir e a sua utilidade pedagógica pois, na falta do inferior para acicatar o superior, é óbvio que ocorreria a estagnação espiritual. Graças a esse entretenimento milenário é que se desenvolve o raciocínio e se apura a consciência espiritual da alma encarnada. O espírito, o perispírito e o corpo terminam formando uma só entidade nesse aspecto trifásico: o pensamento, a energia e a matéria. Daí os motivos por que ainda perduram na ação perispirítica do corpo físico os velhos estigmas das paixões animais, como produto resultante dos períodos de formação da carne e da organização humana. O corpo pode ser comparado ao positivo da fotografia; revela à luz exterior o conteúdo exato do negativo psíquico; mas é necessário convir em que, para a revelação perfeita do seu conteúdo, também precisam existir ingredientes químicos e apropriados para a materialização do psiquismo na tela física. E são os impulsos da ancestralidade animal que representam o "revelador" químico com que a alma reproduz, no corpo físico, o seu conteúdo psíquico, para depois retificá-lo no frenamento compulsório pelas rédeas da vida física.

A Sobrevivência do Espírito

Ramatís /Hercílio Maes


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