O ectoplasma e seu histórico




O histórico do ectoplasma inicia-se com as citações do fisiologista francês Charles Richet (1850-1935), prêmio Nobel de Medicina em 1913 e criador da metapsíquica – com a qual comungavam os eminentes William Crookes e Cesare Lombroso –, que, estudando-o desde 1903, criou o termo a partir das raízes gregas ektos (fora) e plasma (formação). Segundo ele, o ectoplasma é “uma substância semelhante a uma sorte de protoplasma gelatinoso, inicialmente amorfo, que sai do médium e toma forma mais tarde”. Ao realizar suas observações, Richet constatou que o ectoplasma era expelido dos médiuns pela boca, pelo nariz, pelos ouvidos, órgãos sexuais e poros, como tênues fios semelhantes ao algodão. Estudou de modo sistemático as manifestações em médiuns de ectoplasmia, principalmente em Eusápia Paladino, tendo constatado, juntamente com outros nomes de vulto, como o médico italiano Cesare Lombroso (1835-1909) – chamado pai da antropologia criminal e que gerou fortes repercussões sobre o Direito Penal –, os fenômenos de materialização.

Houve também, por parte de Richet, alusão a fraudes realizadas pela médium. Entretanto, o que ressalta das suas palavras é a veracidade da grande maioria dos fenômenos. Charles Richet é autor de um livro que se destaca na metapsíquica, intitulado Trinta Anos de Pesquisas Psíquicas.

Especialmente digna de menção foi a experiência de Cesare Lombroso, que presenciou o fenômeno de materialização do espírito de sua falecida mãe. A médium Eusápia Paladino lhe havia prometido uma surpresa. A mãe de Lombroso, materializada, aproximou-se e lhe disse: “Cesare, fio mio”, e depois, retirando o véu por alguns instantes, deu-lhe um beijo. Posteriormente, Lombroso relata que, para atestar a impossibilidade de fraude durante a sessão mediúnica em que ocorreu a materialização do espírito de sua mãe, a médium estava com as mãos presas por duas pessoas, sendo que a estatura de Eusápia era bem mais alta do que a do espírito materializado da mãe dele.


Ganhe 15% de desconto na compra deste livro, usando o cupom:

1910-30HE-6LE7-HOCC

(o desconto só irá aparecer no fechamento do pedido, onde existe o campo para inserir o código de desconto acima).


Ficou célebre a frase de Lombroso ao dizer: “Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espiríticos; mas os fatos existem e eu deles me orgulho de ser escravo”.

Há muito que comentar sobre as pesquisas realizadas por Charles Richet, Cesare Lombroso, Gustav Geley, William Crookes (o descobridor do tálio, e na época uma das maiores autoridades científicas da Inglaterra), Enrico Morselli, Camille Flammarion, Gabriel Delanne, Enrico Imoda, Schrenck-Notzing, Ernesto Bozanno, Pierre Curie, Sir Oliver Lodge, Asakof, Paul Gibier, Albert De Rochas. Entretanto, não se pretende neste livro discorrer sobre as inúmeras experiências realizadas por esses vultos da ciência, pois foge ao escopo desta edição.

Cabe lembrar o nome de vários médiuns que foram objeto de estudo dos pesquisadores citados acima: Eusápia Paladino, Florence Cook, Linda Gazzera, Eva Carrere, Franek Kluski, Kate Fox, Eglinton, Elizabeth D’Esperance, Marthe Beraud.

O ectoplasma foi avaliado, na época, por vários pesquisadores, sendo que James Black pesquisou-lhe a química e chegou a desenvolver uma fórmula da sua provável composição:

C120H1184N218S5O249

Outros pesquisadores também se destacaram, e vale citar-lhes os nomes, bem como as observações de alguns deles:

Albert Von Schrenck-Notzing citou que “o ectoplasma é constituído por restos de tecido epitelial e gorduras”.

V. Dombrowsky verificou que “o ectoplasma é constituído de matéria albuminóide, acompanhado de gordura e de células tipicamente orgânicas, em que não foram encontrados amiláceos e açúcares”.

Júlia Alexandre Bisson

Liebdzinski

Nos exames histológicos – a avaliação microscópica – do ectoplasma colhido foi verificado que estavam presentes as seguintes substâncias:

Restos de tecidos epiteliais, chamando-se a atenção para o fato de que havia células sem núcleo.

Formas bacterianas.

Quantidade apreciável de gordura.

Leucócitos.

Minerais.

Uma opinião pessoal que pode ou não ser levada em conta é a de que essas substâncias poderiam contaminar o ectoplasma quando de sua saída do corpo do médium.

Enquanto isso, os exames bioquímicos da época constataram que o ectoplasma era constituído de:

Proteínas

Aminoácidos

Água (em grande quantidade)

Lipídios

Minerais

Os pesquisadores da época concluíram, a partir de observações, que o ectoplasma é uma substância manipulada por espíritos, sendo geralmente inodora. Ele é frio e úmido, às vezes viscoso e semilíquido, raramente apresentando-se seco e duro e, quando assim, forma cordões fibrosos e nodosos, dilata-se e se expande com facilidade, podendo ser percebido pelo tato como uma teia de aranha, de modo que uma corrente de ar pode movê-lo, ou até removê-lo; é sensível à luz, vindo a se desfazer quando dela se aproxima; é capaz de interagir com a matéria de modo a produzir efeitos físicos; entretanto, pode permear e atravessar a matéria, sendo que, ao final do processo de materialização, é geralmente reabsorvido, retornando ao médium.

380 visualizações