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O Animais segundo o espiritismo

Atualizado: Mar 7

Utilizaremos como base para este estudo o capítulo XI da parte II de O Livro dos Espíritos, onde encontramos o tema “Os animais e o Homem”.



Nesta parte do livro dos espíritos, os espíritos nos trazem a ideia de evolução de todos os reinos vivos da terra. Desde o mineral até o animal. Entende-se pelo ensinamento dos espíritos que tais formações orgânicas se aglutinam para que materiais eterizados sejam provocados a ação, criando sistemas, organismos e a vida orgânica em si.

Através dessa vida orgânica começa este material eterizado a desenvolver-se desde os sentidos mais básicos, como o instinto de sobrevivência, até os mais elevados como a inteligência básica e a criação de uma individualidade. Esta individualidade é o que torna aquela alma um espírito. O espirito é de caráter humano, pois possui sua individualidade construída e reconhecida por si mesmo. este é o futuro dos animais, evoluírem em inteligencia até alcançarem o patamar de espíritos, cuja inteligência aliada ao reconhecimento da individualidade tornam seu pensamento racional.

593. Pode-se dizer que os animais só agem por instinto?

“Há ainda aí um sistema. É bem verdade que o instinto domina, na maioria dos animais; mas, não vês que muitos deles agem com uma vontade determinada? Isto é inteligência, porém, limitada.”

O limite desta inteligência animal é devido ao processo ainda incompleto de amadurecimento de sua alma. Esta ainda passa por vivências instintivas, ou seja, vivências onde o raciocínio ainda não é um componente presente, porém está presente, adormecido e rudimentarmente utilizado em situações em que o animal associa imagens, reações e sensações à acontecimentos externos. Um grande exemplo de inteligência animal é a comunicação. Nela percebemos o desenvolvimento de um tipo de convivência social inteligente, mesmo que de forma primária, que faz a razão associar ao desenvolvimento do ser enquanto espécie social.

594. Os animais têm uma linguagem?

“Se imaginais uma linguagem formada de palavras e de sílabas, não; mas um meio de se comunicar entre si, sim; dizem entre si muito mais coisas do que supondes; a linguagem deles, porém, é limitada, como suas ideias, às suas necessidades.”

Chegamos ao ponto da questão sobre a inferioridade dos animais perante ao homem. Devemos entender que essa inferioridade não é uma questão moral pois os animais não possuem ainda a moral para comparar. Trata-se aqui da questão do desenvolvimento como um todo. Os animais estão para o homem assim como o homem está para Deus no quesito distância de evolução.


As emoções não são um privilégio humano. Os bichos também sentem tristeza, alegria, raiva, amor.

Entendendo-se que a distância evolutiva seja tamanha, entendemos também que o animal ainda encontra-se num estágio de evolução muito inferior ao do homem, evidenciada a resposta da questão a seguir onde o livre-arbítrio dos animais é comparado ao do homem:

595. Os animais possuem o livre-arbítrio de seus atos?

“Eles não são simples máquinas, como o imaginais; a liberdade de ação deles, porém, é limitada às suas necessidades e não pode se comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a ele, não têm os mesmos deveres. A liberdade deles está restrita aos atos da vida material.”

Entendido essa questão, podemos agora desenhar a escala evolutiva das almas, desde os princípios vitais mais primitivos até o arcanjo. Chegamos agora num ponto chave da discussão. Os animais tem alma?

Os animais possuem sim uma alma, com um limitado livre-arbítrio e um primitivo senso de raciocínio. Eles vivem mais presos ao instinto e , conforme vão evoluindo, depuram este senso. Segundo o Livro dos espíritos nas perguntas a seguir destacadas, os animais possuem um estado latente de inteligência, que a cada vivência física lapida-se até o refinamento completo possibilitar a esta alma uma transição entre alma animal e alma hominal:

597. Visto que os animais possuem uma inteligência que lhes

dá uma certa liberdade de ação, haverá neles um princípio independente

da matéria?

“Sim, e que sobrevive ao corpo.”

a) Este princípio é uma alma semelhante à do homem?

“É também uma alma, se o quiserdes, dependendo do sentido que se dê a esta palavra; ela é, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância igual àquela existente entre a alma do homem e Deus.”

598. A alma dos animais conserva, depois da morte, sua individualidade

e a consciência de si mesma?

“Sua individualidade, sim; não, porém, a consciência do seu eu. A vida inteligente permanece em estado latente.”

Sendo os animais seres viventes e com alma é de se esperar que possuam uma espécie de vida após a morte. De fato existe neles a vida na erraticidade, diferente da dos espíritos hominais, que serve para propósitos destintos do nosso:

600. A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, depois da morte, fica num estado errante, como a do homem?

“Fica numa espécie de erraticidade, já que não está unida a um corpo; não é, porém, um espírito errante. O espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não dispõe da mesma faculdade; a consciência de si mesmo é o atributo principal do espírito. O espírito do animal é classificado, depois da morte, pelos espíritos incumbidos disso e, quase imediatamente, utilizado; ele não tem tempo de se relacionar com outras criaturas.”



Portanto os animais progredem conforme suas vivências de maneira quase mecânica, visto que não possuem ainda uma consciência de sua individualidade e agem muito mais por instinto e uma inteligência ainda adormecida os guia em sua jornada. Ao progredirem, depuram ainda mais a sua alma até alcançarem o status de alma hominal, num processo que dura milênios.

601. Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?

“Sim, e é por isso que, nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo dos meios de comunicação mais desenvolvidos; eles, porém, são sempre inferiores e submissos ao homem; são, para ele, servidores inteligentes.”

Com isso, entendemos mesmo que de forma superficial, que os animais são os homens de amanhã, numa escala de tempo estendida para além da nossa atual realidade. São seres menores que necessitam do nosso amor e nossa proteção a fim de subirem a escala evolutiva conforme as leis da natureza e que vivenciam como nós, em uma escala muito menor as vivências naturais que depuram o ser que um dia terá despertada a inteligência consciente que possui.


fonte: O Livro dos Espíritos

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