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O ALCOOLISMO

Atualizado: Mar 7


PERGUNTA: — Temos tido conhecimento de que homens de talento e de louvável capacidade criadora têm-se deixado aviltar completamente pelo alcoolismo. Como se explica isso?

RAMATIS: — Comumente, essa degradação tem por causa uma tragédia íntima, uma ingratidão humana, um problema emotivo insolúvel ou, então, os sucessivos desentendimentos no seio do lar. Isso acontece quando o homem é de caráter fraco, sem vontade própria, constituindo-se, então, no elo inicial da cadeia escravizadora, do álcool. Muito contribuem para isso os folhetins de porta, os livros vulgares, as poesias melodramáticas, os teatros e os filmes tolos que por vezes costumam imortalizar em poemas épicos ou cânticos exagerados a tragédia vulgar de alguns desses boêmios ou gênios aviltados pela embriaguez. Muitas vezes procura-se mesmo fundamentar a queda dos beberrões em motivos de alta emoção espiritual, sublimando-os sob elevado senso de arte, poesia ou álacre boêmia.

Entretanto, a cena mais comum é a do bêbedo — seja o analfabeto ou o intelectualizado — que espanca a esposa, atormenta os filhos ou promove um ambiente mórbido e hostil no seu lar, tornando-se autor dos mais execráveis quadros ou melodramas, que muito melhor se afinizariam às truanices de um circo de cavalinhos. Enquanto isso, a esposa heroica se curva sobre o tanque de lavar roupas ou se humilha na limpeza dos casarões alheios, desdobrando-se para sustentar, vestir e educar a prole faminta.

Sob a visão justa do Criador, quem realmente vive o poema glorioso ainda é essa infeliz esposa, a heroína que muita vezes também sustenta o casal de velhinhos e ainda mantém o filho boêmio e bêbedo incorrigível que, indiferente à responsabilidade da vida humana, vampiriza impiedosamente aqueles que o socorrem.

Os poemas, dramas e filmes sobre a epopeia do embriagado seriam bem mais interessantes e úteis se revelassem a realidade dantesca da vida dos “canecos vivos”, boêmios noturnos e incorrigíveis beberrões.

Por tudo isto, não vemos motivos de se desculpar a embriaguez ou a boêmia sustentada à base de cachaça ou de uísque, mesmo quando se trata de bêbedo inteligente, capaz de produzir as mais louváveis filigranas sonoras e poéticas assentado às mesas ruidosas das cantinas ou dos bares terrenos.

Livro: Fisiologia da Alma

Ramatís /Hercílio Maes

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