Kardec, a astrologia e os números

Atualizado: Mar 7




No livro O Gênio Céltico, o autor Leon Denis comenta que as forças telúricas provindas do Espaço, na relação de influências entre os astros, são absorvidas pela Terra, graças aos lençóis d’água, à vegetação luxuriante, às montanhas, às colinas, às planícies, e cada ser humano pode ser impressionado por essas ondas.

A atmosfera pura, no seio da floresta, e o topo das árvores atraíam as camadas vibratórias que envolviam e envolvem sempre o Planeta. Em frente à floresta, havia o mar, que servia de condutor ao outro polo magnético. No mar, banhavam-se, ao mesmo tempo, em ondas provindas da floresta, as quais se refletiam como um espelho sobre o lençol líquido, conforme finalizou Denis.

No livro O Espiritismo e as Forças Radiantes, Leon Denis pergunta: o que é a energia nas formas diversas sobre as quais ela atua e que se nos tornaram familiares? Graças aos ensinos dos espíritos, estamos em condição de responder: a energia decorre dessa corrente imensa de forças que percorre o espaço, regula a marcha dos astros e alimenta a vida de todos os seres nos planetas.

A eletricidade, as ondas hertzianas e todas as forças radiantes, cuja existência constata-se hoje, são apenas emanações derivadas, e poder-se-ia até dizer parcelas, dessa poderosa corrente de força e de vida que anima o Universo e cuja fonte está em Deus.

A energia ou o movimento representa a ação mais sensível do ser universal, no tempo e no espaço. Deus é a fonte da vida, e a vida se manifesta pelo movimento, conforme comenta Denis.

Segundo o autor, em seu livro O Espiritismo e as Forças Radiantes, a ciência chegou a reconhecer a harmonia que liga as teorias da eletricidade à lei universal da gravidade, a qual não regula somente a marcha dos corpos celestes, sob seus dois aspectos, atração e repulsão; regula também todos os movimentos da matéria, desde suas mais ínfimas partículas até os astros gigantescos do espaço. Todas as moléculas químicas, todas as parcelas da força elétrica, como os íons e elétrons, representam sistemas completos, análogos aos sistemas estelares. As mesmas radiações as penetram e as mesmas correntes as animam. A natureza vibra, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande.

Leon Denis comenta, em seu livro O Espiritismo e as Forças Radiantes, que, de toda a parte, os pesquisadores, desejosos por conhecer, dedicam-se às observações relacionadas a esse grande problema das ondas etéricas. Alguns astrônomos estudam as radiações solares, não somente as caloríficas e luminosas, as quais são familiares e desempenham uma função importante na vida planetária, mas também os eflúvios “magnéticos” do astro do dia. Esses raios são bem mais intensos durante os períodos de atividade que atingem a Terra de tempos em tempos. Esses astrônomos estabelecem uma coincidência entre esses períodos e os tremores de terra, as erupções vulcânicas, o que faria realçar a potência das causas em ação. Elas manifestar-se-iam após as tempestades fantásticas que agitam a superfície solar e, perto das quais, nossas tempestades terrestres são apenas brincadeira de criança, como finaliza Denis.

No mesmo livro citado, o autor comenta que surgem as protuberâncias solares, chegando a quatrocentos mil quilômetros de altura, as manchas e as fáculas. Essas perturbações conferem às ondas elétricas emitidas pelo grande foco uma intensidade considerável, que repercute em todo o sistema. Por sua vez, os médicos constatam as mesmas influências, sob o ponto de vista patológico, especialmente no que se relaciona às doenças nervosas.

Um grupo de doutores fez um inquérito minucioso sobre esse assunto. Verificou-se que a ação fisiológica sentida por alguns temperamentos humanos coincide com o aumento das radiações solares citadas. Pode-se notar, assim, mais uma vez, como a lei dos fluidos se relaciona, estreitamente, à própria vida e leva à grande unidade, cuja causa permanece invisível, mas cujos efeitos se revelam por toda a natureza, como finaliza Denis.

Na Revista Espírita do ano de 1968, sobre as instruções dos espíritos, Kardec narra as transformações do Planeta e dos seres, no tópico chamado “A Influência dos Planetas nas Perturbações do Globo Terrestre”. Diz, então, o espírito Arago, comentando que, na natureza, não há um fenômeno, por pouco importante que se mostre, que não seja regulado pelo exercício das leis universais que regem a criação. O mesmo ocorre nos grandes cataclismos, e, se males de toda a sorte castigam a Terra em certas épocas, não só porque são necessários, em razão de suas consequências morais, também há a influência dos corpos celestes uns sobre os outros, e as reações compostas de todos os agentes naturais devem fatalmente levar a tal resultado.

Estando tudo submetido a uma série de leis, eternas como aquele que as criou, pois que não se poderia remontar à sua origem, não há um fenômeno que não esteja submetido a uma lei de periodicidade, ou de série, que provoque seu retorno em certas épocas, nas mesmas condições, ou seguindo, como intensidade, uma lei de progressão geométrica crescente ou decrescente, mas contínua. Nenhum cataclismo pode nascer espontaneamente, ou, se seus efeitos parecem tal, as causas que o provocam são postas em ação desde um tempo mais ou menos longo. Não. São, pois, espontâneos, senão em aparência, uma vez que não há um só que não esteja preparado, desde muito tempo, e que não obedeça a uma lei constante.

Cada corpo celeste, além das leis simples que presidem a divisão dos dias e das noites, das estações, etc., sofre revoluções que demandam milhares de séculos para sua perfeita realização, mas que, como as revoluções mais breves, passam por todos os períodos, desde o nascimento até o apogeu do efeito, depois do quê, há um decréscimo até o último limite, para recomeçar, em seguida, a percorrer as mesmas fases.

O homem não abarca senão as fases de duração relativamente curta, e cuja periodicidade pode-se constatar. Mas há algumas que compreendem longas gerações de seres e, mesmo, sucessões de raças, cujos efeitos, por conseguinte, têm para ele as aparências da novidade e da espontaneidade, ao passo que, se seu olhar pudesse abranger alguns milhares de séculos para trás, ele veria, entre esses mesmos efeitos e suas causas, uma correlação de que nem sequer suspeita.

Esses períodos, que confundem a imaginação dos humanos por sua relativa duração, não são, contudo, senão instantes na duração eterna.

Em um mesmo sistema planetário, todos os corpos que dele dependem reagem uns sobre os outros; todas as influências físicas aí são solidárias, e não há um só dos efeitos, que designais sob o nome de grandes perturbações, não seja a consequência da componente das influências de todo esse sistema.

Júpiter tem suas revoluções periódicas, como todos os outros planetas, as quais não deixam de ter influência sobre as modificações das condições físicas terrestres. Seria erro considerá-las como a causa única ou preponderante dessas modificações. Elas intervêm por uma parte, como as de todos os planetas do Sistema, como os próprios movimentos terrestres intervêm para contribuir, a fim de modificar as condições dos mundos circunvizinhos.

Diz o espírito Arago que os sistemas reagem uns sobre os outros, em razão da aproximação ou do afastamento que resulta de seu movimento de translação por meio das miríades de sistemas que compõem nossa nebulosa. E comenta ainda

Arago que nossa nebulosa é como um arquipélago na imensidade, tendo também seu movimento de translação por meio de miríades de nebulosas, sofrendo a influência daquelas de que se aproxima.

Assim, as nebulosas reagem sobre as outras nebulosas, e os sistemas reagem sobre os sistemas, bem como os planetas reagem sobre os planetas, os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros, e assim gradualmente, até o átomo. Então, em cada mundo, as revoluções locais ou gerais só parecem perturbações porque a brevidade da vida não permite ver senão seus efeitos parciais.

A matéria orgânica não poderia escapar a essas influências; as perturbações que ela sofre podem, então, alterar o estado físico dos seres vivos e determinar algumas dessas doenças que atacam de maneira geral as plantas, os animais e os homens.

Como todos os flagelos, essas doenças são para a inteligência humana um estimulante que a impele, por necessidade, à procura dos meios de combatê-las e à descoberta das leis da natureza.

Contudo, por sua vez, a matéria orgânica reage sobre o espírito; este, por seu contato e sua ligação íntima com os elementos materiais, também sofre influências que modificam suas disposições, sem, contudo, tirar-lhe o livre-arbítrio, superexcitam ou retardam sua atividade e, por isso mesmo, contribuem para seu desenvolvimento.

A efervescência, que, por vezes, se manifesta em toda uma população, entre os homens de uma mesma raça, não é uma coisa fortuita, nem o resultado de um capricho; tem sua causa nas leis da natureza.

Essa efervescência, a princípio inconsciente, que não passa de um vago desejo, uma aspiração indefinida por algo de melhor, uma necessidade de mudança, traduz-se por uma agitação surda, depois, por atos que levam às revoluções morais, as quais, como se acredita, também têm sua periodicidade, como as revoluções físicas, porque tudo se encadeia. Se a visão espiritual não fosse circunscrita pelo véu material, veríeis essas correntes fluídicas que, semelhantes a milhares de fios condutores, ligam as coisas do mundo espiritual às do mundo material.

Na Revista Espírita Jornal de Estudos Psicológicos do ano XI, de julho de 1868, no tópico “A Ciência da Concordância dos Números e a Fatalidade”, ver-se-á um fundo de verdade sobre a realidade dos números. Kardec diz que há, certamente, no conjunto dos fenômenos morais, como nos fenômenos físicos, relações fundadas sobre os números. A lei da concordância das datas não é uma quimera; é uma das que serão reveladas mais tarde e darão a chave das coisas que parecem anomalias, como comenta Kardec.

Vê-se que a natureza não tem caprichos; marcha sempre com precisão e com segurança. Aliás, essa lei não é tal qual se imagina. Para compreendê-la em sua razão de ser, em seu princípio e utilidade, necessitais adquirir ideias que ainda não possuís e que virão a seu tempo, de acordo com Kardec.

No momento, esse conhecimento seria prematuro, razão pela qual não nos é dado; seria, pois, inútil insistir. Limitai-vos a recolher os fatos; observai, sem nada concluir, com receio de vos enganardes. Deus sabe dar aos homens o alimento intelectual, à medida que estão em condição de suportá-lo. Trabalhai, sobretudo, em vosso adiantamento moral, o mais essencial possível, porque é por ele que merecereis possuir novas luzes, como finaliza Kardec.


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Então, diz o professor, na mesma revista citada, que, na natureza, muitas coisas estão subordinadas a leis numéricas, susceptíveis do mais rigoroso cálculo. A maior parte das combinações químicas, para a formação dos corpos compostos, efetiva-se em proporções definidas, isto é, precisa de um número determinado de moléculas de cada um dos corpos elementares, e uma molécula a mais ou a menos muda completamente a natureza do corpo composto.

Complementa Kardec, na revista, que é certo, pois, que os números estão na natureza e que leis numéricas regem a maior parte dos fenômenos de ordem física. Contudo, o mesmo ocorre nos fenômenos de ordem moral e metafísica? É o que seria presunção afirmar, sem dados mais certos do que os que se possuem.

Finaliza Kardec, na Revista Espírita, dizendo que, de acordo com isso, é permitido supor que todas as eventualidades que parecem ser efeito do acaso, assim na vida individual, como na dos povos e da humanidade, são regidas por leis numéricas, e o que falta para reconhecê-las é poder abarcar, de um golpe de vista, uma massa bastante considerável de fatos e um lapso de tempo suficiente. Pela mesma razão, nada haveria de absolutamente impossível que o conjunto de fatos de ordem moral e metafísica fosse igualmente subordinado a uma lei numérica, cujos elementos e as bases, até agora, são totalmente desconhecidos. Em todo o caso, vê-se, pelo que precede, que essa lei ou, se houver preferência, essa fatalidade do conjunto, de modo algum, anularia o livre-arbítrio.

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