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Duelo, Assassínio e Crueldade

Atualizado: Mar 7


757 O duelo pode ser considerado como um caso de legítima defesa?

— Não; é um assassínio e um costume absurdo, digno dos bárbaros.

Numa civilização mais avançada e mais moral, homem compreenderá que o duelo é tão ridículo quanto os combates de antigamente encarados como o juízo de Deus.

758. O duelo pode ser considerado como um assassínio por parte daquele que, conhecendo sua própria fraqueza, está quase certo de sucumbir?

E um suicídio.

758 – a) E quando as probabilidades são iguais, é um assassínio ou um suicídio?

— E um e outro.

Comentário de Kardec: Em todos os casos, mesmo naqueles em que as possibilidades são iguais, o duelista é culpável porque atenta friamente e com propósito deliberado contra a vida de seu semelhante; em segundo lugar, porque expõe a sua própria vida inutilmente e sem proveito para ninguém.

759. Qual o valor do que se chama o ponto de honra em matéria de duelo?

—O do orgulho e da vaidade, duas chagas da Humanidade.

759 – a) Mas não há casos em que a honra está verdadeiramente empenhada e a recusa seria uma covardia?

— Isso depende dos costumes e dos usos. Cada país e cada século têm a respeito uma maneira diferente de ver. Quando os homens forem melhores e moralmente mais adiantados, compreenderão que o verdadeiro ponto de honra está acima das paixões terrenas e que não é matando ou se fazendo matar que se repara uma falta.

Comentário de Kardec: Há mais grandeza e verdadeira honra em se reconhecer culpado, quando se erra, ou em perdoar, quando se tem razão; e em todos os casos, em não se dar importância aos insultos que não podem atingir-nos.


ASSASSÍNIO

746. O assassínio é um crime aos olhos de Deus?

— Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida de um semelhante interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal.

747. Há sempre no assassínio o mesmo grau de culpabilidade?

—Já o dissemos: Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato.

748. Deus escusa o assassínio em caso de legítima defesa?

— Só a necessidade o pode acusar; mas, se pudermos preservar a nossa vida sem atentar contra a do agressor, é o que devemos fazer.

749. O homem é culpável pelos assassínios que comete na guerra?

— Não, quando é constrangido pela força; mas é responsável pelas crueldades que comete. Assim, também o seu sentimento de humanidade será levado em conta.

750. Qual é o mais culpável aos olhos de Deus, o parricídio ou o infanticídio?

—Ume outro o são igualmente, porque todo o crime é crime.

751. Por que entre certos povos, já adiantados do ponto de vista intelectual, o infanticídio é um costume e consagrado pela legislação?

— O desenvolvimento intelectual não acarreta a necessidade do bem; o Espírito de inteligência superior pode ser mau; é aquele que muito viveu sem se melhorar: ele o sabe.

CRUELDADE

752. Podemos ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?

— É o próprio instinto de destruição no que ele tem de pior, porque, se a destruição é às vezes necessária, a crueldade jamais o é. Ela é sempre a conseqüência de uma natureza má.

753. Por que motivo a crueldade é o caráter dominante dos povos primitivos?

— Entre os povos primitivos, como os chamas, a matéria sobrepuja o espírito. Eles se entregam aos instintos animais e como não têm outras necessidades além das corpóreas cuidam apenas da sua conservação pessoal. É isso que geralmente os torna cruéis. Além disso, os povos de desenvolvimento imperfeito estão sob o domínio de Espíritos igualmente imperfeitos que lhes são simpáticos, até que povos mais adiantados venham destruir ou arrefecer essa influência.

754. A crueldade não decorre da falta de senso moral?

— Dize que o senso moral não está desenvolvido, mas não que está ausente; porque ele existe, em princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os transforma mais tarde em seres bons e humanos. Ele existe no selvagem como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não se abriu.

Comentário de Kardec: Todas as faculdades existem no homem em estado rudimentar ou latente e se desenvolvem segundo as circunstâncias mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de umas impede ou neutraliza o de outras. A superexcitacão dos instintos materiais asfixia, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento deste arrefece pouco a pouco as faculdades puramente animais.

755. Como se explica que nas civilizações mais adiantadas existam criaturas às vezes tão cruéis como os selvagens?

– Da mesma maneira que numa árvore carregada de bons frutos existem os têmporas Elas .ao, se quiseres, selvagens que só têm da civilização a aparência, lobos extraviados em meio de cordeiros. Os Espíritos de uma ordem inferior, muito atrasados, podem encarnar-se entre homens adiantados com a esperança de também se adiantarem; mas, se a prova for muito pesada a natureza primitiva reage.

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756. A sociedade dos homens de bem será um dia expurgada dos malfeitores?

– A Humanidade progride. Esses homens dominados pelo instinto do mal, que se encontram deslocados entre os homens de bem, desaparecerão pouco a pouco como o mau grão é separado do bom quando joeirado Mas renascerão em outro invólucro. Então, com .na. experiência, compreenderão melhor o berne o mal. Tens um exemplo nas plantas e nos animais que o homem aprendeu como aperfeiçoar, desenvolvendo-lhes qualidades novas. Pois bem, é só depois de muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna completo. Essa e a imagem das diversas existências do homem.


fonte: O Livro dos Espíritos

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