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Células-tronco: à luz da Ciência e da Religião

Atualizado: Mar 7

Qual o papel da Ciência no nosso meio? A Religião continua sendo o centro de todas as verdades? Qual o limite entre a Ciência e a Religião? O que faz o ser humano se movimentar, evoluir, pensar, achar as soluções e transformar-se, sem dúvida nenhuma, é a dificuldade, os obstáculos, as experiências geradas no calor do sofrimento. Os nossos próprios ancestrais aperfeiçoaram e buscaram outros recursos quando houve escassez dos alimentos; na mudança brusca de temperatura e do ambiente caminharam ao encontro de novas terras; a necessidade de criar ferramentas e utensílios facilitou a luta diária e mesmo na criação da cultura ajudou o homem passar adiante seus conhecimentos.



Hoje, a Ciência através das pesquisas e metodologias sérias conquistou o seu espaço; a Religião luta na educação moral do indivíduo e, assim, cada uma se responsabiliza por sua função, podendo e devendo caminhar juntas, de braços dados.

O que faz um tema ser tão acalorado como células-tronco? O que diz a Ciência a respeito deste assunto? Qual a posição da Religião sobre este tema? E o Congresso Nacional, o que tem a ver com tudo isto? Hoje, o foco desta discussão chama-se células-tronco.

Elas são classificadas como células primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e dão origem a outros tipos de células. Estas células podem ser encontradas nos embriões recém-fecundados (blastocistos), criados por fertilização “in vitro”, aqueles que não serão utilizados no tratamento da infertilidade (chamados embriões disponíveis) ou criados especificamente para pesquisa; podem ser encontradas também nos embriões recém-fecundados, criados por inserção do núcleo celular de uma célula adulta em um óvulo que teve seu núcleo removido – reposição de núcleo celular (denominado clonagem); nas células germinativas ou órgãos de fetos abortados; nas células sangüíneas de cordão umbilical no momento do nascimento; em alguns tecidos adultos (tais como a medula óssea) e nas células maduras de tecido adulto, reprogramadas para ter comportamento de células-tronco.

Existem dois tipos de célula-tronco passíveis de pesquisa: as embrionárias, que formam um conglomerado de 100 a 200 células chamadas CTE, consideradas pluripotentes, e são células primitivas (indiferenciadas) de embrião, com potencial para se tornarem uma variedade de tipos celulares especializados de qualquer órgão ou tecido do organismo; e as células-tronco adultas CTA (multipotente), também indiferenciadas, encontrada em um tecido diferenciado, que pode renovar-se e, com certa limitação, produzir o tipo de célula especializada do tecido do qual se origina.

Segundo Mayana Zatz, professora titular de Genética, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), “a terapia com células-tronco poderá trazer para muitos pacientes a cura de doenças degenerativas, causadas pela morte prematura ou mau funcionamento de tecidos ou órgãos”.


As células-tronco são células muito especiais. Elas surgem no ser humano, ainda na fase embrionária, previamente ao nascimento.

A grande discussão é que alguns cientistas querem fazer experiências somente com as células-tronco dos embriões recém-fecundados com apenas cinco dias de formação. A verdade é que a legislação brasileira, pelo Congresso Nacional, aprovou as pesquisas com células-tronco de embriões humanos, permitindo o uso dessas células para qualquer fim. Mas a lei de Biossegurança aguarda aprovação na Câmara dos Deputados.

Os cientistas que são a favor da CTE alegam que as células-tronco embrionárias possuem o atributo da pluripotência, o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de célula do organismo, exceto a célula da placenta. Eles dizem que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida, e os embriões de má qualidade, que não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerarem tecidos. Comentam que as células-tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos geneticamente idênticos às do paciente, fato que ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia.

Estes mesmos cientistas dizem que as células-tronco adultas têm uma capacidade de diferenciação muito pequena, menos que a embrionária. Por exemplo, uma célula-tronco adulta retirada do fígado de uma pessoa terá a capacidade de se multiplicar em células do fígado desse indivíduo. E assim é com as células adultas retiradas de outros tecidos. Já a célula embrionária é como um coringa, e é capaz de se transformar em qualquer outro tecido do corpo humano, como ossos, nervos, músculos e sangue.

A Igreja Católica e outros grupos religiosos têm o apoio dos fiéis e de algumas associações civis na luta contra a pesquisa com as células-tronco embrionárias. Sua defesa argumenta que utilizar embriões para a extração de células-tronco é como se tivesse sido praticado um aborto, já que o processo destruiria o embrião.



A Doutrina Espírita comprovada pela Ciência e composta pela Religião concorda com as outras religiões quando afirmam que desde a concepção existe a união da alma com o corpo, pergunta 445, que Kardec fez ao Espírito de Verdade, mas, na questão 356, o codificador da Doutrina pergunta: – Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito? – Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nelas. É somente pelos pais que essa criança nasce.

No livro “Evolução em Dois Mundos“, na página 191, André Luiz também comenta sobre estes casos, dizendo que a mulher em provação de reajuste do centro genésico pelo abuso do aborto em outras existências, na vontade de ser mãe, imprime nas células reprodutivas uma alta voltagem de atração magnética, formando assim, com a célula espermática, um embrião frustrado. No mesmo livro de André Luiz, só que no capítulo V, chamado “Células e corpo espiritual”, nas páginas 43 a 46, o autor discorre sobre o funcionamento das células e suas adaptações, o que iremos resumir para melhor entendimento do leitor sobre o funcionamento das células.

As células são seres rudimentares a serviço do Espírito, tanto no corpo físico como no corpo espiritual; morrem e nascem todos os dias, renovando-se continuamente, e elas podem ter várias formas. Elas são pequenos motores elétricos microscópicos com vida própria, cada uma com a sua função, trabalhando em favor do organismo na reprodução, na digestão, na respiração e fonação, na circulação, tendo também outras funções sob a disciplina das orientações da mente que lhes governam.

Diante do governo mental, as células compõem os tecidos que constituem os órgãos; vigiadas pelo sistema nervoso e controladas pelos hormônios, elas acabam sendo excitadas para certos fins. Perante o automatismo, constituído há milênios, as células tomam aspectos diferentes seguindo as organizações a que servem. A inteligência humana influencia o citoplasma da célula, que é o espaço intracelular entre a membrana plasmática e o envoltório nuclear, ligando o elemento intersticial, que é um líquido claro e transparente.

Nesse ritmo, geram efeitos automáticos: se uma célula for retirada de qualquer tecido, seja da epiderme ou do cérebro, ela permanece viva por muito tempo se for mergulhada em soro cuidadosamente imunizado e mantido na temperatura do corpo físico, que é de 36,7ºC, tendo uma vida intensa. Passadas algumas horas, o soro se intoxica com a excreção produzida pelas células, impedindo o seu desenvolvimento. Se o líquido for renovado, as células continuam a crescer no mesmo ritmo de movimento, só que, fora do governo mental, elas perdem as suas devidas funções no organismo, e procedem no soro quais amebas em liberdade para satisfazer aos seus próprios impulsos.

Para finalizar, o que é mais impressionante é o que André Luiz já falava em 1958, na página 46, do livro “Evolução em Dois Mundos“, sobre as células: “Fenômenos explicáveis – Dentro do mesmo princípio de submissão das células ao estímulo nervoso, é que a experiência de transplante dos tecidos de embriões entre si, com alguns dias de formação, pode oferecer resultados surpreendentes, de vez que as células orientadas em determinado sentido, quando enxertadas sobre tecidos outros in vivo, conseguem gerar órgãos extras, em regime de monstruosidade, obedecendo à determinação especializada resultante das ordens magnéticas de origem que saturavam essas mesmas células”.

Cabe à sociedade composta por estes mesmos religiosos, cientistas, deputados, e a toda a nação brasileira, analisar os fatos com bom senso, usando a luz da razão para chegar a uma conclusão plausível, sem descartar os argumentos da religião e muito menos menosprezar as pesquisas da ciência, porque ambas são importantes ferramentas nas mãos do Criador para a melhora do homem, visto que as duas lutam em favor da vida humana.

Nota da Redação:

O artigo acima foi escrito antes da sessão realizada em 29/5/2008 pelo Supremo Tribunal Federal, que liberou a realização de pesquisa e terapia com células-tronco embrionárias, sem nenhuma restrição, como previsto na Lei de Biossegurança.


EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO eduardoalourenco@hotmail.com Americana, São Paulo (Brasil)

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