A preferência do Poltergeist por pessoas jovens




É fato nas pesquisas sobre eventos Poltergeists que estes, em sua maioria, parecem eclodir ao redor de determinadas pessoa-focos, ou epicentros, muito frequentemente adolescentes ou jovens adultos.

Portanto, estatisticamente existem indícios de que em quantidade significativa de casos o fenômeno parece se ligar preferencialmente à presença de uma pessoa jovem que, de alguma maneira, parece estar associado à sua manifestação.

A presença desta pessoa (às vezes pessoas) jovem parece ser um fator necessário, embora não possamos afirmar com certeza que ela seja, em todos os casos, a causa, fator ou deflagrador único ou suficiente dos fenômenos. Quem assim afirma, a nosso ver, age levianamente, pois para poder afirmar tanto seria necessário conhecer intimamente o “mecanismo” que faculta a manifestação dos Poltergeists, o que, obviamente, não é ainda o caso.

Normalmente o único indício testável que estabelece tal associação está no fato de que o fenômeno parece “seguir” uma determinada pessoa, ou não se expressar quando de sua ausência, embora existam exceções.

Deve ser lembrado, também, que há inúmeros casos em que não se pode apontar com certeza a existência de uma ou algumas pessoas que sejam os prováveis focos, epicentros ou agentes Psi, e ainda há outros que parecem prescindir totalmente da presença de quaisquer das pessoas que os vivenciam (CONRAD, 1990; OSIS & MCCORMICK, 1982).

Além do mais, na maior parte dos casos tudo leva a crer que o epicentro tem uma participação indireta, atuando – se o faz – involuntariamente, talvez como mero elemento canalizador ou catalisador que ajuda a focar, concentrar, direcionar ou estimular fatores supostamente energéticos que ainda não conseguimos apreender, mas que podem ser necessários à ocorrências destes fenômenos (STEVENSON, 1972; ROGO, 1995; KRIPPNER, WEIL & outros, 2003).

Portanto, constatar que determinado fenômeno tende a ocorrer em decorrência da presença de algo ou alguém é bem diferente de afirmar que estes sejam a causa ou parte da causa dos mesmos, como podemos também constatar, por analogia, em fenômenos químicos, físicos e mesmo sociais.

Ainda que, em parte dos casos, esta presença pareça ser indispensável, sua ação inteligente ao lado de sua participação involuntária pode afrouxar a afirmação de que o sujeito seja o diretor – ainda que inconsciente – dos citados eventos, alguns deles plenos de engenhosidade. Contudo, esta hipótese é bastante aceita por muitos autores (ROGO, 1995) muito provavelmente por parecer descartar qualquer ação de entidades inteligentes não-visíveis, idéia mais ajustável ao paradigma dominante. De qualquer forma, um olhar mais atento sobre ela deixa ver que não explica a questão de como tais pessoas podem atuar, à distância, sobre a matéria, de modo tão seletivo e intencional, sem ter a mínima consciência disto, ou de que desejam isso – e muitas vezes não desejam mesmo.


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É importante, também, saber se a hipótese do epicentro é válida para todos os casos, ou somente para alguns, e definir, neste caso, se existem diferenças marcantes entre eles, bem como questionar até onde vai seu alcance de previsibilidade e de encaixe nos efeitos psicológicos, neurológicos, fisiológicos e sociais que implica.

Muitas são as interrogações levantadas pela hipótese do epicentro, que alguns autores tendem a interpretar como sendo o foco causador único do Poltergeist. Dentre elas, destacamos:

a) Como se dá a ação involuntária da pessoa na manifestação do Poltergeist e como ela consegue influir, sem contato físico, de modo seletivo e aparentemente planejado, nos objetos dentro do meio físico em que se encontra?

b) As pessoas-foco dificilmente apresentam sinais de sensível esgotamento físico ou alterações metabólico-fisiológicas que indiquem qualquer desgaste diante dos fenômenos, o que seria de se esperar pelo dispêndio de energia que os mesmos deveriam apresentar na presença das ações dinâmicas, algumas extremamente complexas e envolvendo o transporte e deslocamento de objetos pesados. Como isso é possível?

c) De onde vem a energia para a força motora dos efeitos do Poltergeist se vários dos supostos “epicentros” de eventos RSPK, submetidos a testes de PK em laboratório, apresentaram comportamento oposto, ou seja, o de apresentrem discretíssima manifestação de PK?

d) Como a ação do Poltergeist pode ser tão seletiva e calculada no deslocamento de objetos pelas dependências de uma edificação sem atingir cegamente divisórias como paredes, ou objetos diversos ou pessoas, o que seria de se esperar por um lançamento normal e inconsciente de objetos, muitos dos quais não vistos pelo suposto epicentro? Como pode ocorrer a ação do Poltergeist em espaços que estão além do alcance da percepção dos sentidos físicos do epicentro?

e) Finalmente, como explicar os casos em que é difícil, senão impossível, apontar uma pessoa (ou pessoas) com o qual o Poltergeist pareça estar particularmente ligado, como no caso do “Poltergeist Sem um Agente Vivo Indentificável”, apresentado por Karlis Osis e Donna McCormick (OSIS & MCCORMICK, 1982) e no “Poltergeist da Estrada Nova”(TINOCO, 1996)?24

Estas questões não são facilmente respondidas pela hipótese causal única do “epicentro”. Por isto, muitos são céticos quanto à própria possibilidade do fenômeno Poltergeist, tanto pela estranheza e raridade do fenômeno quanto pela mais estranha explicação do “epicentro”, tal como apresentado pelos estudiosos do tema. Existem também, nos relatos e pesquisas, indícios de que a pessoa-foco seja mero elemento coadjuvante, necessário, mas não suficiente,, para a eclosão e ação do fenômeno.

Isso não quer dizer que a hipótese espírita esclarece melhor as coisas, pois muitos dos questionamentos que se fariam na hipótese do epicentro também seriam feitos na da ação de um agente desencarnado, ou agente Psi-Theta, especialmente em como este agiria, cooptando elementos de uma pessoa viva, para aplicar na movimentação e transporte de objetos. De qualquer modo, os registros coletados são suficientes para demonstrar a existência do fenômeno e que, em alguns deles, a mera hipótese de que a movimentação inteligente de objetos através de uma ação inconsciente de alguém parece muitas vezes estapafúrdia sem que se leve em conta ação de algum agente inteligente que parece reger e controlar os mesmos (HALLOWELL & RITSON, 2005). Mas é compreensível a resistência em aceitar a existência de tais fenômenos, pois os eventos são raros e, diante do atual modelo mecanicista da realidade que tomamos como a descrição final da mesma, parecem absurdos demais para não causar uma grande estranheza. “Mas”, como bem lembrou o Prêmio Nobel de Fisiologia, Charles Richet, “sabemos que as nossas classificações didáticas e explicativas não são mais que arbitrárias. A realidade não faz caso de nossas disposições” (RICHET, 1999, p. 133).

A base dessa descrença, para muitos dos que não tiveram contato em primeira mão com os fenômenos, está, então, não no registro e pesquisa destes casos inabituais, mas no fato de que tais acontecimentos desafiam notavelmente nossa visão de mundo, nossas “classificações didáticas” calcada na ciência positivista clássica, ainda dominante.

As características dinâmicas dos Poltergeists – e de todo o conjunto dos fenômenos paranormais – parecem ultrapassar os limites de tudo aquilo quanto fomos condicionados a acreditar como verossímeis, como se a realidade fosse indiferente às nossas disposições intelectuais, o que parece ser algo inaceitável para quem se adestrou e assumiu um lugar em meio à comunidade científica que adota o paradigma dominante como modelo final e perfeito da realidade. Para complicar, os modelos explicativos divergentes, na falta de uma teoria coerente sobre os fenômenos Psi, não contribuem muito para dirimir esta situação.

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