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A fé que move montanhas

Atualizado: Mar 7

“Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada” (Mateus, 8:5-11.)



Quando Jesus entrou na cidade de Cafarnaum, um oficial romano foi encontrar-se com ele e pediu que curasse o seu empregado. Ele disse: – Senhor, o meu empregado está na minha casa, tão doente, que não pode nem se mexer na cama. Ele está sofrendo demais. – Eu vou lá curá-lo! - disse Jesus.

O oficial romano respondeu: – Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e o meu servo será curado. Eu também estou debaixo da autoridade de oficiais superiores e tenho soldado que obedecem às minhas ordens. Digo para um; “Vá lá”, e ele vai. Digo para outro: “Venha cá”, e ele vem. E digo também para o meu empregado: “Faça isto”, e ele faz.

Quando Jesus ouviu isso, ficou muito admirado e disse aos que o seguiam: – Eu afirmo a vocês que isto é verdade; nunca vi tamanha fé, nem mesmo entre o povo de Israel! E digo a vocês que muita gente vai chegar do Leste e do Oeste e se sentar à mesa no Reino do Céu com Abraão, Isaque e Jacó, e não aparecerá um indivíduo com tanta confiança igual a este homem.

O oficial romano além de ter muita fé, acreditou na autoridade moral de Jesus, por isso o seu soldado foi curado a longa distância. A Fé quando gerada no coração, com muita vontade e confiança, tem uma força direta e transformadora na ação magnética. O ser humano interage sobre o fluido, agente universal, modificando suas qualidades e elementos de acordo com o que cada ser emana nos seus pensamentos, dando-lhe a impulsão desejada. Por isso, aquele que tem um grande poder fluídico, através da sua força mental, juntando-se com uma fé fervorosa e com a vontade dirigida para a bondade, pode operar fenômenos estranhos de cura, a curta ou a longa distância, como foi o caso do oficial romano que acreditou na cura do seu soldado.

Tal o motivo pelo qual Jesus disse aos apóstolos: – Se não haveis curado é que não tínheis fé”, a fé é algo intrínseco no ser humano, tributo natural do Espírito; é um sentimento plantado por “Deus” em nossas consciências.

Sendo que esta fé pode ser manifestada com diferentes nuances, em cada uma das diversas religiões, compreendendo que o divino se revela na capacidade evolutiva de cada ser, dependendo da maneira como cada um interpreta o Criador.

A fé é força motriz que vai sendo afinada no exercício da oração, da caridade e do amor incondicional; a fé ilumina o coração, ultrapassando o âmbito da crença religiosa, aonde o Espírito se refaz na energia que emana do seu próprio íntimo.

A palavra fé vem do latim: que significa “fides”, e o termo pode ser empregado em duas categorias: profana ou religiosa. No sentido profano, significa dar crédito na existência do fato, fazer bom juízo sobre alguém, expressar sinceridade no modo de agir etc. Quando o testemunho, no qual se baseia a confiança absoluta, é a revelação divina, fala-se de fé no seu sentido religioso. A fé, neste sentido, não é um ato irracional. Com efeito, o espírito humano só pode aderir incondicionalmente a um objeto quando possui a certeza de que é verdadeiro.

Muitos homens estudiosos aliaram a fé com a ciência; sendo que esta ferramenta que comprova e descobre oferece ao ser humano o conhecimento das leis da natureza concreta; ao contrário, a fé transporta o homem à transcendência do mundo invisível.

A ciência gera a investigação metodológica do mundo visível; a fé se desenvolve na confiança e na esperança do nosso Criador.

A ciência precisa de provas e pesquisas; a fé requer compreensão e benevolência; a ciência exige estudo e prática; a fé exige contemplação, entendimento e movimento.


A questão não é se estamos cheios de fé, mas se temos alguma fé. . . . Uma pequena quantidade de fé é suficiente, porque o foco não está em nossa fé, mas em seu objeto.

Há um ponto sutil entre a ciência e a fé; aonde termina o limite estreito da ciência, começa o espaço infindável da fé. O homem da ciência estuda para entender; o homem da fé pratica a caridade para desabrochar este sentimento. Ambas se completam e se auxiliam mutuamente. Podemos citar alguns pensadores e cientistas que aliaram estas duas asas:

– Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do “quantum” de energia, dizendo: “O impulso de nosso conhecimento exige que se relacione a ordem do universo com Deus”.

– Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade, afirmou: “Foram minhas pesquisas que me levaram a Deus”.

– Andrews Millikan (1868-1953), prêmio Nobel de Física, em 1923, pela descoberta da carga elétrica elementar: “A negação de Deus carece de toda base científica”.

– Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Física em 1921, pela descoberta do efeito fotoelétrico: “Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus”. “O universo é inexplicável sem Deus”.

– Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica: “A obra mais eficaz, segundo a Mecânica Quântica, é a obra de Deus”.

– Voltaire (1694-1778), racionalista e inimigo sagaz da fé católica, foi obrigado a dizer: “O mundo me perturba e não posso imaginar que este relógio funcione e não tenha tido um relojoeiro”.

– Edward Mitchell, astronauta da Apolo 14, um dos primeiros homens a pisar na Lua: “O Universo é a verdadeira revelação da divindade, uma prova da ordem universal da existência de uma inteligência acima de tudo o que podemos compreender”.

Seria lógico analisarmos que a fé e a ciência se entrelaçam; tendo a ciência o papel de livrar a fé da cegueira; e a fé orientando a ciência a não cair num materialismo radical. A fé precisa ser amparada sob a ótica da ciência para não ser míope e nem cair no misticismo, tornando-se fanática e doentia; como a ciência precisa ser auxiliada pela fé, para não virar uma ferramenta a serviço da destruição da humanidade.

A fé, através da oração e da meditação, vem sendo comprovada por pesquisas científicas, como afirma o radiologista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, que submeteu o cérebro de budistas do Tibet em profunda meditação a exames tomográficos, e consequente acompanhamento da atividade cerebral após injeções de soluções radioativas na veia. Este estudo também foi repetido com freiras em oração.



Chegou-se à conclusão que tanto a meditação como as orações desligaram os circuitos cerebrais que controlam a noção de limites físicos do ser humano. Seria a explicação bioquímica para a sensação de transcendência e o alto grau de concentração mental obtidos com a meditação.

O médico americano, Dr. Harold Koenig, formado pela Universidade da Califórnia, com especializações em Geriatria, Psiquiatria e Bioestatística, fez inúmeras pesquisas no campo da ciência com relação à espiritualidade, chegando à conclusão que as pessoas que oram regularmente e possuem práticas religiosas apresentam melhor sistema imunológico, ou seja, adoecem menos, e, quando doentes, superam melhor a enfermidade. Aponta também, que pessoas com fé reduzem a incidência de doenças cardiovasculares, câncer, pressão alta, entre outros males, além do tempo de sobrevivência maior no caso de doenças graves, como o câncer e o HIV.

O psiquiatra Frederico Camelo Leão afirma que “pessoas com atitude positiva e fé têm saúde melhor”; ele defendeu a tese de doutorado sobre o assunto no Hospital das Clínicas de São Paulo. “Isso vale tanto para a espiritualidade intrínseca, quando a pessoa é voltada a seus valores internos, quanto à extrínseca, quando a pessoa se associa a grupos e cerimônias”.

David Myers, professor de psicologia da Faculdade Hope, em Michigan (EUA), fez uma pesquisa afirmando que pessoas com fé religiosa conseguem melhorar o funcionamento de seu sistema imunológico. “Ter uma fé ativa é tão fortemente associado à longevidade, quanto ao hábito de não fumar”.

Um grupo de pesquisadores da Dana-Farber Cancer Institute e da Escola de Medicina da Universidade de Harvard realizou uma pesquisa, publicada no Journal of Clinical Oncology, em fevereiro (2007), para avaliar a importância e a influência da religiosidade e da espiritualidade sobre os pacientes com câncer em estágios terminais. “A religiosidade e a fé são questões presentes, de forma marcante, na vida de muitas pessoas, seja em momentos de alegria, seja em situações delicadas ou difíceis, como durante uma doença com poucas possibilidades de cura.”

A fé é o combustível para entendermos as engrenagens do nosso universo íntimo, sendo que somos fagulhas celestiais, energias geradas pelo cosmo divino. Esta fé nos dá o sustento e o equilíbrio para uma vida mental saudável; ela é a geradora da esperança, da resignação, da compreensão e da humildade. A fé nos mostra que somos pequenos grãos de areia perante a perfeição de “Deus”.

Este sentimento desperto em nossa alma cura-nos das nossas doenças e mazelas do Espírito; intercede por aqueles que sofrem; liga-nos através da prece com nosso Criador, alimentando-nos de esperança e de paz.

– A prece é agradável a Deus? "A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele. A prece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que sua prece represente um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade." (O Livro dos Espíritos, pergunta 658.)


EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO

eduardoalourenco@hotmail.com

Americana, São Paulo (Brasil)

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