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A fé nos amuletos

Atualizado: Mar 7

“Aquele dia lhes trará o Senhor o ornamento dos pés, e os pendentes, e os braceletes, e os véus; os diademas, as cadeias dos artelhos, os cintos, as caixinhas de perfumes e os amuletos.” (Isaías 3:18-20)



Os amuletos, talismãs, rituais, paramentos ou trajes entre outros apetrechos eram muito comuns nas culturas antigas, especialmente entre os pagãos, gerando sacrifícios e todo tipo de superstições que acompanha o ser humano por milênios.

O homem primitivo, por não compreender ou mesmo conseguir explicar os fenômenos da natureza, acabou criando o maravilhoso ou mesmo o miraculoso. Os fenômenos da natureza, tais como as tempestades, as enchentes, os terremotos, os maremotos, os tornados, os deslizamentos de terra, os vulcões, o fogo, o calor e o frio e mesmo os grandes animais, causavam pavor e medo nestas pequenas mentes; muitos resquícios destas impressões tão antigas e que estão gravadas em nossas memórias espirituais são revividas quando estes fenômenos ocorrem, então, muitos indivíduos atribuem como “atos de Deus”, castigos dos Céus etc.

Nos clãs das antigas épocas, pela falta do entendimento das leis naturais que regem o planeta e todo universo, eles acreditavam que a repetição de certas falas ou a prática de algum ritual poderia gerar a reação desejada, como afastar as tempestades, atrair chuvas, cessar erupções vulcânicas, propiciar melhores colheitas, aproximar ou afastar pessoas dos convívios, curar doenças e causar a morte.

O ser ainda infantil e pequeno na compreensão tinha muito medo de todas as manifestações naturais; passando, então, a adorar todos estes fenômenos provocados pela mãe natureza. Um dos primeiros objetos a ser adorado pelo homem em evolução foi a pedra. Interrogavam como estas pedras apareceram na superfície de um campo e como se desprendiam, deslizando e soterrando casas e aldeias. Dessa cultura resulta até hoje o uso de pedras da sorte, os búzios, tarôs e as pedras do zodíaco, utilizadas como talismã.

Todas as tribos possuíam suas pedras sagradas, que lhes traziam sorte, prosperidade e fartura; elas eram sempre mantidas como herança passando de geração para geração. Com o passar do tempo o homem descobre outros elementos para adorar como estrutura metálica muito venerada, como ouro e a prata. Transformaram-se em joias as coroas, os anéis, como símbolos do poder, da força e da autoridade máxima.

A joia, na Índia, assume muitas vezes um caráter religioso, pois é feita não só para os humanos, mas também para ornar os deuses e alguns animais que participam em cerimônias, como elefantes e cavalos.

Na Assíria, homens e mulheres usavam joias, como brincos, amuletos, selos cilíndricos e braceletes. Os antigos, como as pessoas hoje em dia, deixavam suas joias através das gerações. Mulheres usavam braceletes nos tornozelos, uma prática ainda existente entre as camponesas no Iraque.

O uso de amuletos protetores era muito comum no Egito Antigo. Embora a maior parte dos exemplos conhecidos seja proveniente dos corpos mumificados, sabemos que usavam também em vida. O simbolismo dos amuletos fazia relação com os deuses, sendo importante a cor e o material de que eram feitos. Muitos apresentam inscrições, em geral, orações ou petições às divindades. Além dos mais usuais, listados abaixo, eram usados como amuletos pequenas imagens das divindades.

A magia tem um papel importante nas religiões tribais da África. Os sacerdotes têm grande influência entre as tribos porque a eles são atribuídos poderes mágicos. Muitos africanos usam amuletos para se protegerem do mal.


Desde o início dos tempos que o Homem tem superstições - gestos que repete para se proteger das energias negativas, da falta de sorte e de todo o tipo de infortúnios - e usa determinados objetos, ou amuletos, que acredita que lhe trarão proteção.

Os Caldeus se utilizavam de amuletos; o primeiro amuleto de influência conhecido foi o de Utus, que tinha gravado a imagem do rei dos demônios sobre madeira. Sendo consagrado como objeto de funções mágicas, o amuleto de influência mágica passa a funcionar como um servo que cumpre os desejos do seu amo.

Os pagãos também possuíam grandes talismãs que se chamavam “terafins”, também conhecidos como “ídolos caseiros”. Estas estátuas de miniatura existiam nas casas ou eram transportadas com os donos quando eles iam de viagem.

A superstição é fruto de todos estes costumes e manias, é um sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes. Sendo uma atitude do espírito infantil, crendo na prática da mágico-religiosa para as quais não há explicação racional e baseando-se na convicção de certos atos, palavras, números ou objetos benefícios, azar ou sorte, as superstições, de modo geral, podem ser classificadas como religiosas, culturais e pessoais.

Os primitivos seres acreditavam na força dos amuletos mágicos, eles usavam para se protegerem de energias negativas, de maus-olhados, de danos, e também para dar-lhes boa sorte. Os amuletos, pelo dicionário Aurélio, é um pequeno objeto (figura, medalha, figa etc.) que, desde a mais alta antiguidade, alguém traz consigo ou guarda por acreditar em seu poder mágico passivo de afastar desgraças ou malefícios. Em geral, podem-se encontrar na forma de cristais, cruzes célticas, ou outras joias místicas usadas num colar ou numa pulseira, ou penduradas numa corrente no espelho retrovisor do carro.

Estes indivíduos acreditavam que os amuletos têm poderes místicos, que supostamente de alguma proteção pessoal, e trazem sucesso e prosperidade. Como os antigos sacerdotes, pitonisa, gurus utilizavam destes amuletos, apetrechos e trajes como transmissores de energias curadoras e de vibrações positivas, supostamente fomentando paz e tranquilidade.

Durante os tempos de apostasia e idolatria, os Israelitas copiaram as superstições dos pagãos, incluindo o uso dos amuletos mágicos. Vemos o profeta Ezequiel dizendo: “Assim diz o Senhor Deus: Ai das que cosem pulseiras mágicas para todos os braços, e que fazem véus para as cabeças de pessoas de toda estatura para caçarem as almas! Porventura caçareis as almas do meu povo? e conservareis em vida almas para vosso proveito? Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis aqui, eu sou contra as vossas pulseiras mágicas com que vós ali caçais as almas como aves, e as arrancarei de vossos braços; e soltarei as almas, sim, as almas que vós caçais como aves. Também rasgarei os vossos véus, e livrarei o meu povo das vossas mãos, e eles não estarão mais em vossas mãos para serem caçados; e sabereis que eu sou o Senhor”.

O profeta, usando de uma pedagogia condizente com a época, queria libertar este povo primitivo destas práticas ritualísticas e da fé nos amuletos; era uma forma de preparar o futuro do novo homem, para conscientizá-lo para uma fé racional.

A idolatria consistiria em achar que a divindade está em uma estátua, por exemplo. Ou seja, teríamos que colocar alimentos para as imagens, como faziam os romanos, os egípcios e os demais povos idólatras. Os Judeus, saindo da dominação egípcia, um povo idólatra, tinha muita tendência à idolatria. Basta ver o que aconteceu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei e encontrou o povo adorando o “Bezerro de Ouro” como se ele fosse uma divindade, um amuleto. É claro, como permitir que um povo tendente à idolatria fosse fazer imagens?

Mesmo o Cristo combatia com toda firmeza a prática de se cultuar o lado externo, valorizando muito mais a imagem, as oferendas, aparecendo nos holofotes do reconhecimento humano, para que todos pudessem ver a grandiosidade das obras feitas pelos hipócritas fariseus.

Em muitas questões, como por exemplo, a respeito do comer sem lavar, cujo foco de atenção é voltado somente à valorização que se dava na época aos cuidados externos, Jesus aprofunda o debate abrindo horizontes. Ele vai além dos lábios, o Mestre diz que do coração procedem os maus pensamentos, a sua mensagem dizia: cuida primeiro de tua alma, limpa a tua mente de toda calúnia, difamação, adultério e vingança. Nós encontramos a prática de “purificação” dos pratos e dos copos e outras práticas do mesmo gênero, por isso dizia O Mestre: “Conhecereis a verdade e ela vos fará livres”.

Estas crendices geram medo, pânico e uma fé em mitos e lendas causando escravidão nos rituais e nas manias. O indivíduo acaba colocando mais força nas coisas completamente exteriores. Ele deixa de acreditar nele e na sua fé interior; o ser acha que para darem certos seu projeto e meta tem que realizar esta prática, mas acabam se esquecendo que todos estes rituais são apenas meros objetos e símbolos exteriorizando nossos desejos e sonhos.



A verdade é que as nossas vidas são construídas pelo nosso esforço, trabalho e merecimento; independente destes objetos e dos rituais, o caminho de cada um depende exclusivamente do indivíduo que trilha sua evolução.

O homem trouxe todos estes aspectos e vivências gravadas em sua trajetória espiritual, influenciando a religião com aspectos meramente humanos, na cultura trazendo o homem suas tradições, costumes e hábitos e mesmo alguns pensamentos filosóficos. O tempo, através da evolução, do progresso e da reencarnação, vai ensinando o homem a se libertar de todos estes condicionamentos e apegos exteriores.

Muitos missionários que reencarnaram no campo da ciência, da religião e da filosofia trazendo novos ensinamentos cooperam com o crescimento intelectual, moral e até emocional destas criaturas menores; vamos, então, nos desfazendo pouco a pouco da infantilidade espiritual, vamos deixando práticas externas, deixando de cultuar, adorar e idolatrar os deuses. Vamos nos libertando das promessas, das imagens de barro, dos crucifixos, das velas, simpatias, dos trajes, dos dogmas e de todos estes empecilhos criados para se ligar com o divino.

Percebemos que não precisamos de nada disso, porque Deus está em cada um de nós, com uma prece sincera obtemos a ligação com os bons Espíritos e haurimos toda proteção e ajuda que vem do céu.


EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO eduardoalourenco@hotmail.com

Americana, São Paulo (Brasil)

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