A agressividade dos Poltergeists




Embora impressionantes e emocionalmente perturbadoras, uma análise fria da maior parte das ocorrências RSPK nos dá a impressão de que elas pouco apresentam da maldade diabólica geralmente retratada em alguns filmes de Hollywood. Contudo, é compreensível que qualquer tipo de fenômeno de movimentação de objetos por forças ou causas estranhas cause medo, ou mesmo pavor. Ainda assim, apesar dos distúrbios que provocam, eles muitas vezes parecem ser mais o fruto de uma espécie de ação leviana do que de uma intenção propriamente malévola.

Por exemplo, os casos mais “banais” e universais de Poltergeists são os que relatam uma “chuva” repentina de pedras e seixos – mais raramente outros materiais – que começa a cair sobre o telhado de casas ou até mesmo como que “surgindo” do forro das mesmas, sem que se encontre uma explicação lógica para isso e, obviamente, sem que se encontre um responsável.

Por exemplo, um dos autores deste livro foi procurado por uma aluna após uma aula na Universidade, onde se havia falado muito sucintamente sobre parapsicologia, para contar sobre um acontecimento que ela mesma tinha presenciado e a tinha impressionado à época de seus onze para doze anos de idade (ela tinha 22, na ocasião da narrativa, confirmada depois pelo primo da mesma, que também presenciou os fatos e que fazia um curso de mestrado na mesma universidade).

A estudante contou que nessa época foi visitar um tio, com a mãe e a irmã mais velha, em Pilar, uma cidade do interior da Paraíba. Por ser a casa pequena e a família um pouco grande, ficou decidido que a mãe e a irmã dormiriam junto com duas primas no quarto destas, enquanto ela ficaria dormindo no sofá da sala.

Havia na casa cinco moradores, o tio, a tia e três primos, um rapaz de 18 anos e duas moças, de 16 e 12 anos, respectivamente. Somando-se os parentes em visita, uma senhora de cerca de 38 anos e duas meninas de 11 e 14 anos, tinha-se ao todo oito pessoas. Respondendo às perguntas do interlocutor sobre como era a casa, a estudante lembrava que ficava no centro da cidade, a poucos metros da igreja matriz . Era conjugada com outras duas casas na mesma rua, havendo só um pequeno quintal nos fundos. Este quintal fazia divisa com uma outra casa.27

Após algumas brincadeiras entre os meninos, todos se recolheram por volta das 23 horas.

Tudo parecia bem e o final de semana prometia ser prazeroso. Contudo, na madrugada da primeira noite, a menina que dormia no sofá acordou com um barulho de batidas no assoalho da sala. Assustada, levantou-se e correu para o interruptor ao lado da porta do terraço, para acender as luzes. Viu que havia algumas pedras – mais ou menos do tamanho de limões e laranjas – perto do centro e do sofá, e uma outra, menor, perto da porta do terraço, que estava trancada. Procurando ver de onde elas teriam vindo, notou que todas as demais portas e janelas estavam também fechadas. Apavorada, correu para o quarto onde estava a mãe. Esta, por sua vez, chamou as demais pessoas. Justamente quando todos estavam na sala, ouviu-se outras pancadas secas perto do sofá. Acharam uma pedra um pouco maior que a da porta e um pedaço de alguma coisa que parecia um caco de barro. Olhando para o teto, buscando ver se esses objetos tinham caído do telhado e atravessado o forro de madeira, nada encontraram, nenhuma fresta. Ao abrir a janela e olhar para a rua, não viram movimento de pessoas próximas da casa.


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Alguns minutos depois, ouviu-se novamente barulhos de pedradas; desta vez o som vinha do corredor. Novamente encontraram mais duas pedras. Isso foi o suficiente para cogitar-se de que a casa estava sendo alvo de algum ladrão que queria assustar para fazê-los sair. Quando o tio já estava indo chamar a polícia, ouviu-se o som de outra pedrada na sala, desta vez vista pelo filho mais velho, que disse que alguma coisa parecia ter caído do nada, de repente, a poucos metros da televisão. E realmente lá estava uma outra pedra, que o rapaz pegou e disse estar quente. A tia, assustada, resolveu sair de casa para ver se tinha alguém no telhado, no que foi seguida pelo marido e o filho. Nada acharam. Neste momento viram, vindo do outro lado da rua, um rapaz em uma moto que fazia as vezes de vigilante noturno. O rapaz entrou na casa, andou pelos quartos, buscou algum animal no teto e no quintal e subiu no telhado a partir dos fundos, nada encontrando. Resolveu chamar um conhecido que logo chegou com outro rapaz, e novamente vasculharam tudo. Durante as buscas, não se viu nada nem se ouviu mais barulhos de pedras e parecia que tudo tinha se aquietado.

Quando um dos vigilantes já estava se preparando para ir embora, uma outra pedra bateu violentamente sobre o tanque de uma das motos, deixando um amassado, parecendo que tinha vindo do lado oposto da casa. A pedrada que atingiu a moto parece ter sido a última daquele dia e o resto da madrugada não foi perturbado por outros ataques.

Dois dias depois, as pedras voltaram a cair no final da tarde, entre a sala e o corredor, por cerca de uns 20 minutos. Algumas das que foram recolhidas no momento estavam quentes. Novamente, o fenômeno parou completamente, só ocorrendo mais uma vez no dia posterior ao da partida das visitas, nunca mais voltando.

É relativamente raro, portanto, que um Poltergeist, mesmo dos mais ativos, manifeste uma agressividade tal que chegue a agredir ou ferir gravemente pessoas ou animais, embora a balbúrdia e o prejuízo material sejam, em si mesmos, danos já suficientemente traumatizantes. Isso não quer dizer, contudo, que não existam Poltergeists violentos e malévolos, mas sim que estes tipos extremados não são os mais frequentes dentro dos já raros casos reais, mas eles existem. Forçoso é reconhecer que são esses eventos agressivos os tipos que mais chamam a atenção. São também eles os mais complexos e que demonstram marcantes características de intencionalidade, planejamento e inteligência.

A equipe do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, IBPP, sob a direção do engenheiro Hernani Guimarães Andrade, estudou um caso ocorrido em Jaboticabal, São Paulo, anos antes, no primeiro lustro da década de 60, onde um Poltergeist parecia perseguir uma adolescente que era vítima de pedradas e outros objetos lançados violentamente contra ela. Por vezes, a moça via os vestidos que usava queimando “espontaneamente” (parapirogênese). Ainda pior era ser vítima de apports de agulhas que apareciam dentro de seus pés, causando-lhe fortes dores. Este inferno inexplicável teve consequências trágicas: a moça acabaria por suicidar-se (ANDRADE, 2002, p. 267). Outra ocorrência ainda mais macabra ocorreu em Piraporinha, também em São Paulo, e foi diretamente pesquisador por Andrade e sua equipe. Nesta, surtos de parapirogenia (combustão espontânea de roupas e objetos) acabaram por atingir um bebê de poucos meses e que, por isso, veio a falecer (ANDRADE, idem, p. 267).

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