• religar

Deus

Atualizado: Mar 7



PERGUNTA: — Porventura, chegará o tempo em que o homem poderá identificar Deus com absoluta certeza e autenticidade, apesar de todos os insucessos dos investigadores humanos até hoje?

RAMATÍS: — Jamais a criatura humana conseguirá definir ou identificar, racionalmente, a Realidade Absoluta do Criador, embora ela seja também uma partícula divina. Caso o homem lograsse tal solução, então, ele também seria outro Deus para ser descoberto, descrito e identificado. Assim como as folhas não podem sentir ou representar o arvoredo, e as gotas de água não conseguem descrever a natureza imensurável do oceano, a parte também não pode definir o Todo, nem o criado o seu Criador. As células do homem jamais poderão explicar os pensamentos, sentimentos e a verdadeira configuração do ser humano. Só um outro Deus, além ou semelhante ao que pretendemos demonstrar, é que poderia prová-lo.


PERGUNTA: — Por que não podemos definir ou explicar o Criador, quando também somos uma partícula divina? Não diz a Bíblia que “o reino de Deus está no próprio homem”?

RAMATÍS: — Deus, como a fonte original e incriada da Vida, preexiste antes de qualquer coisa ou ser; em consequência, jamais poderíamos explicar aquilo que já existe muito antes e independente de nós existirmos. Se considerarmos Deus simbolizado por raios, que partem geometricamente de um centro e se perdem no infinito, a consciência do homem é sempre a figura de uma esfera limitada sobre o centro desses raios. Assim, embora essa consciência humana se amplie e se desenvolva incessantemente em todos os sentidos, em face de sua limitação relativa em cada fase, ela jamais alcançará os raios infinitos.


PERGUNTA: — Mas se o reino de Deus está também no homem, por que não possuímos o entendimento subjetivo da Realidade Divina? Embora criados “à imagem de Deus”, não temos nenhuma miniatura correta, além de nosso espírito imperfeito e ignorante, para avaliarmos a natureza do Criador. Que dizeis?

RAMATÍS: — Indubitavelmente, o reino do pinheiro está plasmado e esquematizado no seio do pinhão, assim como a bolota também é a imagem do futuro e gigantesco carvalho. No entanto, só podereis avaliar e abranger a totalidade do pinheiro ou do carvalho depois que o pinhão e a bolota são plantados na terra humosa, e cumprem todo o processo da metamorfose vegetal. Através das forças ocultas que lhe dormitam na intimidade vegetal, ambos precisam evoluir, pouco a pouco, partindo da simples semente pequena, limitada e pouco diferenciada na sua estrutura tecidual. Ativam e rompem a crosta da velha semente para brotar, desabrochar, crescer e buscar as alturas até configurar em definitivo e majestoso arvoredo existente em potencialidade no embrião. Depois de a semente sofrer o processo de adaptação ao solo, nem sempre propício, ela ainda deve concentrar as forças íntimas no sentido de romper as membranas externas. Depois precisa sobrepor-se à agressividade dos germens do meio onde se sepultou; resistir à investida do quimismo tóxico da terra; sofrer a umidade infiltrativa em suas entranhas; cavar os sulcos para desenvolver-se; firmar as radículas para que o caule possa romper a superfície da terra, em busca de oxigênio e liberdade, onde vai enfrentar o ar gélido do inverno ou o calor esturricante do verão; sobreviver à chuva torrencial e curvar-se, humilde, à investida do vento tormentoso. Ainda deve defender-se da agressão ferina dos insetos que lhe exterminam os brotos imaturos; precisa renovar-se e persistir compondo a vestimenta nova de ramos e folhas. Há de investir sempre para o alto, malgrado a vizinhança da erva daninha, enquanto as raízes rebuscam no fundo do solo os elementos minerais para se desenvolver. Apesar dos inúmeros fatores agressivos do meio, a planta continua, atavicamente, a crescer sem poder desviar-se do esquema fundamental de compor, em definitivo, o majestoso arvoredo que aceitou a tarefa de plasmar no cenário da própria terra, malgrado tanta adversidade durante o seu desenvolvimento.

Sem dúvida, o reino de Deus está no homem, assim como a natureza do carvalho futuro está na própria bolota. No entanto, quanto de conscientização o homem já realizou em si mesmo, no seu desenvolvimento espiritual, após situar-se no seio da matéria, a fim de compreender tanto de Deus, quanto tiver sido a sua amplitude além da limitação humana?

Considerando-se Deus, o Espírito Total Cósmico, como “Chama” ou “Luz” infinitas, acima e além do tempo e espaço, obviamente, os espíritos dos homens ou filhos de Deus serão apenas centelhas emanadas dessa eterna e infinita incognoscível energia.


PERGUNTA: — Se o homem é um Deus em miniatura, ele não poderia conjeturar em si mesmo a Realidade Divina?

RAMATÍS: — O espírito do Criador permanece vitalizando a vida íntima de cada criatura, como se fosse o “pano de fundo” da consciência do próprio homem. Assim, à medida que o ser amplia essa consciência esférica no contato incessante e educativo com as formas dos mundos planetários, ele também abrange maior área divina e mais se apercebe de Deus. Embora a semente possua em potencial as qualidades próprias do vegetal que irá desabrochar, quando as condições permitirem, ela não poderia definir completamente, por antecipação, o arvoredo planejado pelo seu código específico, salvo à medida que desabrocha e cresce, vencendo no ambiente a eterna luta pela vida até a sua real configuração.


O Evangelho à Luz do Cosmo

Ramatís / Hercílio Maes



Ganhe 15% de desconto na compra deste livro, usando o cupom:

1910-30HE-6LE7-HOCC

(o desconto só irá aparecer no fechamento do pedido, onde existe o campo para inserir o código de desconto acima).

11 visualizações